Participamos da cabine de imprensa que nos permitiu ter acesso a um dos filmes mais aguardados do ano, principalmente pelos fãs da DC: “Supergirl”. Ouso dizer que filmes do gênero carregam consigo o mais alto nível de exigência por parte do público. Super heróis, apesar de fictícios, são figuras com as quais o público costuma criar um certo tipo de vínculo afetivo. Daí, cria-se a vontade gritante de ver mais e mais obras que tragam seu herói preferido: mas a qualidade deve ser irretocável. Caso contrário, o conteúdo deixa de ser satisfatório e torna-se quase ofensivo. Portanto, deixarei aqui as minhas impressões sobre o filme para que você saiba o que esperar do mais novo filme da DC.

Em “Supergirl”, acompanharemos a jornada interestelar de Kara Zor-El (Milly Alcock) em busca de Krem (Matthias Schoenaerts), vilão que envenenou Krypto. Enquanto Kara corre contra o tempo para encontrar Krem e o antídoto para curar seu melhor amigo, ela se junta a Ruthye (Eve Ridley), uma jovem que também busca o vilão, porém com o objetivo de vingar a morte de seus familiares. Juntas, elas enfrentarão perigos inimagináveis e encontrarão questões internas capazes de transformar a jornada.
Inicialmente, o filme visa percorrer a personalidade e rotina de Kara, e acredito que está aqui o maior erro do filme. A personalidade autodestrutiva e sarcástica da personagem é forçada e cansativa, causando mais revirar de olhos que risos. Com isso, demora para que o espectador crie de fato apreço e vínculo com a personagem principal. Outro aspecto que afeta consideravelmente a experiência do público é como os acontecimentos se desenrolam de forma confusa. Em dado momento, os objetivos principais das protagonistas parecem sair de questão e a busca se torna um jogo de obstáculos aleatórios infundados. O objetivo, muito provavelmente, seria enriquecer o roteiro. No entanto, é impossível não se sentir entediado ao notar que muitos daqueles acontecimentos não acarretarão em propósito algum para a trama. É válido mencionar, inclusive, que a co-protagonista Ruthye, em muitos momentos, se torna uma espécie de “mochila” de Kara (é necessário ressaltar que aqui falo unicamente do filme). Ela não é desenvolvida, não participa da ação, e é constantemente protegida até o final da trama. Durante toda a história, Ruthye leva consigo uma única meta: e nem o cumprimento dessa meta lhe é permitido.

No entanto, “Supergirl” não desagrada em tudo. As cenas de ação são distribuídas na quantidade certa, além de serem quase hipnotizantes. As coreografias são bem planejadas, executadas e garantem que seja impossível tirar os olhos da tela. Além disso, a medida em que vemos a Supergirl entrar em ação entendemos o porquê da escolha de Milly Alcock para o papel: quando o roteiro finalmente a tira daquele estereótipo cansativo inicial, ela dá vida a uma heroína que vale a pena ser vista e que se conecta a audiência. É formidável ver a personagem ganhar espaço, personalidade e história sem ser totalmente associada ao Superman, apesar de o personagem aparecer aqui. A participação de Jason Momoa como o personagem Lobo é incrível: ele assume um personagem divertido e estranhamente cativante: um anti herói perfeito e isento de qualquer régua moral.
Outro ponto que irá prender o espectador consiste na dinâmica de cronômetro: Em Supergirl, há um tempo corrente que nos dá a sensação de aflição para que os propósitos sejam alcançados.
Acerca dos efeitos visuais, Supergirl merece atenção. Os cenários são impecavelmente detalhados, bem como as criaturas dos planetas percorridos por Kara. Apesar do estado quase apocalíptico e absolutamente desgastado daqueles lugares, há espaço para figurinos bem pensados, caracterização realista e ambientes ultra imersivos. Os poderes da protagonista são desenvolvidos visualmente de forma a não deixar margem para reclamações, trazendo seu potencial a tona no melhor estilo DC.
Por fim, considero que não seria justo dizer que Supergirl é uma produção ruim. Apesar de apresentar um roteiro desorganizado, teremos muita qualidade em ação e efeitos visuais. É um filme que não apresenta furos e incoerências no enredo, apesar de levantar uma ideia sólida inicialmente e “derreter” essa ideia ao longo da trama com acontecimentos que não agregam muito para a trama. Não é uma obra que impressiona, mas não se trata de uma decepção total, e apesar de muito provavelmente levantar críticas dos fãs mais aficionados e da crítica especializada, vai gerar um bom nível de entretenimento ao público em massa. Além de divertido e emocionante, não há motivação maior que a vida do nosso amigo de quatro patas, não é mesmo?
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