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Home Filmes e Séries Criticas

A Odisseia | CRÍTICA

Patrícia Rodrigues por Patrícia Rodrigues
16/07/2026
em Criticas, Destaque, Filmes, Filmes e Séries

O Meia Lua foi convidado para a pré-estreia do filme “A Odisseia”. O longa, que tem sido alvo de críticas devido a escolha de elenco, tem estreia marcada no Brasil para o dia 16 de julho, mas deixarei as minhas considerações sobre a trama para que você leitor saiba um pouco do que esperar.

Em “A Odisseia”, acompanhamos a jornada de Odisseu, o rei de Ítaca que liderou a vitória grega na Guerra de Tróia. Odisseu (Matt Damon), também conhecido como Ulisses, se consagrou como um dos maiores heróis da mitologia grega ao derrubar Troia. No entanto, a mente genial por trás da ideia do Cavalo de Troia abrigava uma personalidade inconsequente capaz de levar a viagem de seu exército a ruína. Ele então se vê diante de inúmeros desafios que nem se comparam ao que o aguarda caso consiga voltar para casa e para sua esposa Penelope (Anne Hathaway).

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“A Odisseia” enfrentou inúmeras críticas desde que o elenco e os primeiros materiais de divulgação foram a mídia. Cristopher Nolan, figura renomada do cinema, foi severamente acusado de modernizar e descaracterizar a mitologia grega ao escalar nomes como Elliot Page (Sinon), Lupita Nyong’o (Helena de Troia) e até mesmo o rapper Travis Scott. Mesmo que Lupita e Elliot já tenham seus nomes consolidados na indústria cinematográfica, sua inclusão no elenco causou revolta a parte do público mais conservadora sobre a imagem usual que se sustenta de Sinon e Helena em outras obras do gênero. No entanto, posso assegurar que ambos desenvolveram com maestria os papéis atribuídos, e não deixam qualquer brecha para que se diga o oposto. É válido mencionar, inclusive, que o elenco escalado para a produção é um dos melhores que vi nos últimos tempos. E isso não se dá apenas por termos uma quantidade numerosa de nomes grandiosamente reconhecidos, mas pelo trabalho desenvolvido por cada um: até personagens com tempo mínimo de tela conseguem se conectar ao espectador e desenvolver uma atuação que tornará aquele personagem memorável. Deixo como exemplo o trabalho de Samantha Morton, que interpreta a feiticeira Circe. Em poucos minutos, ela foi capaz de executar uma atuação impecável. Ao assistir “A Odisseia”, creio que as preocupações e exigências ficarão para trás.

O filme possui muitas subliminaridades. A não compreensão ou associação dessas subliminaridades não afeta a compreensão da trama, mas é interessante percebê-las e notar como elas podem simbolizar aspectos da atualidade.

Sobre efeitos visuais, não há o que criticar em “A Odisseia”. O filme é capaz de entregar qualidade em cada detalhe, seja nas vestes dos personagens, no balançar de uma flecha disparada ou na grandiosidade assustadora do Ciclope. O longa apresenta cenários, atuações e figurino tão espetaculares que as quase três horas de filme parecem passar em minutos. Tudo em “A Odisseia” é visualmente harmônico: as proporções, iluminação, efeitos visuais e práticos. Assistindo a obras como esta, relembramos a importância da experiência visual para a imersão do espectador. Em dados momentos, a narração associada ao teor das cenas pode elevar essa imersão ao patamar em que parece ser possível sentir o cheiro de alguns ambientes e se incomodar com o barulho de tempestades devastadoras que ocorrem sob a ira de Poseidon para com Odisseu. Infelizmente, a sala na qual participei da pré estreia estava com problemas no áudio e isto afetou consideravelmente a minha experiência no que diz respeito a este aspecto. Mas foi possível notar a escolha acertada da trilha sonora, que parece acompanhar com exatidão cada acontecimento do filme, sendo uma excelente junção entre visual e sonoro.

A execução do roteiro não se desdobra de forma arrastada ou cansativa. Apesar de apresentar um início com pouca ação, não vemos cenas que poderiam ser descartadas sendo usadas para preencher tempo. Nolam usa com sabedoria o tempo a favor da história, que é tecida através de idas e voltas no tempo, se assemelhando de certa forma ao bordado de Penelope, que é constantemente feito, desfeito e refeito. Essa estrutura torna cada momento essencial e prende a atenção do público, mesmo que este já saiba o que pode vir em seguida. Sem confusões, sem furos de roteiro e sem quedas bruscas de ritmo.

Baseada no poema de Romero, a história retratada no filme já é, para muitos, conhecida. Entretanto é preciso elogiar a forma como Nolan escolheu contá-la: uma linguagem acessível mesmo que em um enredo complexo, riqueza de detalhes que fazem valer o longo tempo de sessão. O elenco de ponta, roteiro denso e efeitos visuais deslumbrantes fazem com que “A Odisseia” não seja apenas um filme, mas uma experiência completa e inesquecível que envolve romance, aventura, guerra, ação e drama: mas tudo isso ainda dá espaço para um pouco de body horror. Aqui, a mitologia grega é traduzida de forma brutal e crua, entregando a melhor parte da essência de Cristopher Nolan: a grandiosidade arrebatadora. Não se trata de um filme que busca confortar seu espectador: o realismo de Nolan que busca traduzir tudo de forma fidedigna é brutalmente objetivo.

 Recomendamos a sua ida ao cinema, e esperamos ver “A Odisseia” nas próximas grandes premiações do cinema.

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