Persona 4 definitivamente não é um jogo novo. O título já havia recebido uma versão expandida através de Persona 4 Golden e agora a Atlus resolveu retornar mais uma vez a Inaba com Persona 4 Revival, um remake que tenta dar uma nova vida a um jogo que já era impressionante.
Nós do Meia-Lua tivemos a oportunidade de jogar Persona 4 Revival no estande da SEGA durante a BGS e uma coisa ficou bastante evidente durante a demonstração: todos esses anos desenvolvendo diferentes jogos da franquia Persona trouxeram um aprendizado enorme para a Atlus.
Quando olhamos para Persona 3 e Persona 4, encontramos jogos que já possuíam um potencial enorme. As animações, personagens, histórias e principalmente as temáticas já estavam lá. Contudo, quando Persona 5 foi lançado, ficou evidente o quanto a equipe havia aprendido no processo.
Persona 5 trouxe uma interface completamente diferente, muito mais integrada à identidade visual do jogo, uma apresentação mais dinâmica e um cuidado muito maior em transformar praticamente todos os elementos da experiência em parte da estética. O jogo acabou estabelecendo um novo padrão para a franquia.
Posteriormente, Persona 3 Reload mostrou o que aconteceria caso parte de tudo aquilo que a Atlus aprendeu com Persona 5 fosse aplicado a um dos títulos antigos da série.
Persona 4 Revival parece ser o próximo passo dessa evolução.
E talvez Persona 4 seja justamente o jogo que mais tenha a ganhar com esse tratamento.
Entre os títulos da franquia, Persona 4 provavelmente é aquele que trabalha de maneira mais explícita com a ideia junguiana de confrontar e aceitar a própria sombra. Seus personagens precisam encarar partes de si mesmos que não gostariam de reconhecer, transformando esse confronto em uma das bases tanto da narrativa quanto do desenvolvimento individual de cada integrante do grupo.
São conflitos bastante dolorosos.
Contudo, o visual original de Persona 4 possuía personagens menores, mais estilizados e com uma apresentação que, em determinados momentos, acabava atenuando um pouco a seriedade desses temas.
Persona 4 Revival muda essa percepção.
Ver aqueles mesmos personagens completamente redesenhados, com novas cenas, modelos mais detalhados e uma apresentação muito mais próxima do padrão moderno da franquia dá um peso diferente para situações que já conhecíamos.
Não é simplesmente Persona 4 mais bonito.
Existe uma mudança na maneira como aquela história é percebida.
E isso ficou evidente quase imediatamente durante a demo.
Pouco depois de começar a jogar Persona 4 Revival, minha vontade era basicamente sair da BGS, voltar para casa correndo, ligar Persona 5 e começar a jogar novamente.
Existe uma sensação curiosa de nostalgia acompanhada por algo novo.
Você reconhece Persona 4, seus personagens, sua identidade e aquilo que tornou o jogo especial, mas ao mesmo tempo percebe claramente todo o conhecimento que a Atlus acumulou durante os anos seguintes.
Talvez essa seja a melhor maneira de definir minhas primeiras impressões de Persona 4 Revival.
Ele parece o Persona 4 que a Atlus gostaria de ter produzido desde o começo caso possuísse, naquela época, tudo aquilo que aprendeu depois.
O mesmo jogo, a mesma história e os mesmos conflitos, mas agora apresentados com muito mais impacto.
As primeiras impressões são excelentes e, depois da demonstração disponível na BGS, Persona 4 Revival se tornou facilmente um dos lançamentos que mais quero acompanhar.
Para quem já é fã de Persona, dificilmente será um jogo para deixar passar.
Não conhece persona? Confira nossa análise sobre Persona 3: Reload e comece a se familiarizar












