Análise | Paradise Killer

Toda vez que me pedem indicações sobre Visual Novels, não penso duas vezes em recomendar a séries da Spike Chunsoft como Danganronpa e Zero Escape, pois além de milhares de linhas de diálogo, o que é a marca registrada de qualquer jogo desse gênero, eles também possuem puzzles e mecânicas de investigação, quebrando um pouco da monotonia que esse tipo de experiência pode gerar.

O problema, no entanto, é que na maioria das plataformas esses jogos possuem um preço elevado e mesmo após adquiri-lo, é obrigatório ser bem sucedido na resolução dos quebra-cabeças e na busca por pistas para avançar em suas campanhas.

Mas imagine se houvesse um jogo barato, com muita interação e que não existisse certo ou errado, nenhum grande empecilho para alcançar o final e melhor ainda, dependo das pistas encontradas e de suas escolhas o final do jogo. Parece um paraíso, não?

Paradise Killer é o primeiro game desenvolvido pela Kaizen Game Works. Trata-se de um visual novel de investigação em mundo aberto.

Problemas no Paraíso

A trama do jogo se passa em Paradise Island, uma gigantesca rocha sintética flutuando no meio do oceano. Essa ilha artificial é habitada por adoradores de uma espécie de deuses alienígenas cujo o principal objetivo é alimentar e, eventualmente, ressuscitar suas divindades caídas.

O problema é que esta força também atrai o interesse indesejado de demônios, que eventualmente corrompem cada ilha, obrigando que de tempos em tempos a ilha toda precise ser recriada em uma nova realidade alternativa desenvolvida pelo Conselho.

Isso mostra claramente que o sistema não é perfeito, uma vez que 24 ilhas já foram corrompidas. E antes mesmo dos adoradores migrarem a 25a, os membros do Conselho são assassinados

Para solucionar esse crime, você encarna na pele da fenomenal investigadora Lady Love Dies (sim, esse é nome da protagonista), que é retirada do seu exílio.

A história pode parecer um pouco confusa no início, pois apresenta muitas informações e um grande número de personagens com nomes bastante peculiares, para não dizer muitíssimo estranhos. Mas não há com o que se preocupar, a maioria desses nomes, conceitos e tramas são repetidos exaustivamente no decorrer de sua jogatina e se isso não for o bastante, você sempre pode entrar em um dos menus de opções e revisar os casos e o perfil de cada um dos suspeitos, além de ter acesso a uma linha do tempo que detalha os acontecimentos em ordem cronológica.

Todo o trabalho dedicado a esses elementos – personagens, trama e conceitos, os torna os pontos forte do jogo, principalmente a história. Quanto mais você descobre sobre esse mundo, maior será sua curiosidade. Certas perguntas irão invadir a sua mente. Afinal de contas, se essa é a vigésima quinta ilha, o que exatamente deu errado nas outras? Quem eram os membros dos Conselhos anteriores? Será essa história passa em nosso mundo?

Apesar de uma trama muito bem elaborada, o game sofre com a ausência de dublagem e localização em português. Sei que essa crítica parece injusta, principalmente por se tratar de uma desenvolvedora independente, além disso sou da opinião de que o conhecimento da língua inglesa é um pré-requisito para desfrutar esse gênero, mas o fato é que são milhares de linhas de diálogo e existência de vários finais, o que exigirá a rejogabilidade do título. Logo essa experiência seria muito mais agradável na presença destes elementos.

Eterno Retorno

Mais uma vez as comparações de Paradise Killer e Danganronpa se tornam inevitáveis e não é para menos. A câmera e a movimentação de ambos os jogos são semelhantes a de um FPS, visão em primeira pessoa e possibilidade de se movimentar em 360 graus, porém não há qualquer risco de morte, não há batalhas e mesmo que você caia de alturas enormes, seu personagem não morre.

O visual e os gráficos do jogo também não deixam a desejar, ele mistura um estilo anime com personagens feitos em 2D com um cenário composto de objetos em 3D. Essa combinação dá um tom de originalidade ao jogo.

Outra semelhança é o mundo aberto, mas diferente do outro visual novel, tem mais do que algumas meras salas para explorar, existe uma ilha inteira. A maioria dos locais são fáceis de serem encontrados, outros exigiram um pouco de criatividade e atenção por parte do jogador e ainda aqueles que dependem de uma resolução seja esta através de puzzles, pistas ou obtenção de informações.

No entanto, para instigar a exploração do cenário e te forçar a ficar sempre atento a trama, as viagens rápidas não são algo simples como na maioria dos jogos de mundo aberto. O jogador só poderá realizá-la através dos telefones públicos espalhados pela ilha e ela tem um custo que deve ser pago em cristais.

Apesar desses cristais serem fáceis de serem encontrados, o problema é que existe um número limitado deles e eles não servem apenas para se mover rapidamente pela ilha como também para comprar coisas, incluindo informações e pistas sobre seus casos, então é preciso usá-los sabiamente e talvez, pensar na possibilidade de sempre ir andando de um ponto ao outro do mapa.

Para piorar a situação, a localização dos suspeitos e outros NPCs não aparecem na versão fast travel do mapa mesmo o jogador já tenha entrado em contato com esses personagens. Isso te força a reler atentamente os perfis nas opções do jogo, o que quebra sua imersão e o ritmo do jogo.

Matador na história e no preço

O primeiro jogo da Kaizen tem um custo menor do que os visual novels concorrentes. Ele combina um visual único com uma trama complexa, que desperta o interesse do jogador pelo passado desse universo.

Em contrapartida, seu valor de venda cobra seu preço em alguns recursos. O game não possui qualquer tipo de dublagem nem localização em português, o que torna sua investigação uma experiência exaustiva, porém nada que realmente interfira negativamente na qualidade do título.

Paradise Killer já está disponível para PC (Steam) e Nintendo Switch.