Após o enorme sucesso de Tomodachi Life no Nintendo 3DS, anos atrás, eis que a Big N surpreende a todos com o anúncio de Tomodachi Life: Living the Dream.
Essa nova instância é, na verdade, tanto uma continuação, quanto uma evolução do título original, prometendo incrementar a experiência de gerenciamento de nossa cidade e os Miis.
A grande questão é, o novo jogo faz juz ao antecessor e proporciona bons momentos de diversão? Vamos lá!
Seja o síndico e crie seus Miis
Ao começar nossa jornada, nos é disponibilizada uma ilha, que iremos popular com os tão conhecidos Miis da Nintendo.
Assim como no primeiro título, podemos criá-los do zero, sendo essa uma das atividades mais legais do jogo.
As possibilidades de personalização dos Miis foi incrementada nesta versão, permitindo gerar bonecos similares a amigos, celebridades e até personagens de outras franquias de games.
Podemos selecionar diferentes cabelos, olhos, bocas, definir gênero e até sua personalidade, mesmo que de forma rasa.
Quanto às vozes, não temos muitas opções para homem e mulher, e as mesmas são bem estranhas.
Após criar nosso primeiro Mii o jogo começa de fato e nos tornamos o síndico do lugar, auxiliando nossos personagens em suas vidas cotidianas.
Gerenciando nossa cidade
Cada Mii possui sua casa e, com o tempo, algumas estruturas são adicionadas à nossa ilha, trazendo novas possibilidades.
Dentre essas estruturas, temos um mercado de alimentos, loja de roupa e design de interiores, estação de rádio para atualizações constantes sobre as atividades de nossos Miis e assim por diante.
Cada edifício é adicionado gradativamente, à medida que aumentamos a população da ilha.
Nossa função é ficar atento às atividades e necessidades de nossos Miis.
Nós precisamos alimentá-los, atender seus desejos e incentivar interações com os outros integrantes que adicionamos.
É possível presenteá-los com itens e diferentes atividades, ou até sugerir temas interessantes de conversa para aumentar o nível de relacionamento com outros Miis.
Pode parecer monótono à primeira vista mas, passada essa etapa inicial de aprendizado, que é um tanto morosa, o jogo rende momentos bem inusitados e divertidos.
Podemos adicionar novos bonecos a qualquer momento ou aguardar que o jogo nos indique o momento de inseri-los, fica a gosto do freguês.
Quanto mais personagens colocamos, mais interessante o cotidiano em nossa ilha se torna, graças às interações entre eles.
Um Animal Crossing contemplativo
Não é exagero dizer que esse jogo bebe da fonte de Animal Crossing, embora apresente um estilo de jogabilidade mais contemplativo.
Nós não controlamos ativamente os personagens, mas podemos interferir em suas atividades e até mesmo incentivar relacionamentos com os demais.
O jogo nos permite carregar um Mii de um ponto até outro, ou próximo de algum personagem para que ambos comecem a conversar.
A partir disso, podemos ver o nascimento de uma bela amizade, ou de uma paixão ardente.
Durante a minha jogatina, aconteceu de dois Miis se apaixonarem e até morarem juntos.
Com isso, foi necessário que eu conseguisse uma casa maior para que começassem sua vida a dois.
Como citei anteriormente, situações inusitadas e engraçadas podem ocorrer, que rendem boas risadas.
Eles podem fofocar e guardar segredos. Falam mal de outros habitantes da cidade e até confabulam sobre nós, jogadores.
Quando descansado, podemos acessar seus sonhos e entender mais sobre seus desejos, alguns sendo bem bizarros em alguns momentos.
É uma aventura bem atípica.
Mesmo não sendo um jogo que proporcione desafios, ele é bem relaxante, principalmente após um dia cheio e no conforto de nossa cama.
Como estão os gráficos
O jogo recebeu melhorias gráficas notáveis, se comparado ao seu antecessor, mas nada muito impressionante.
O mesmo apresenta um visual bem polido e bacana para seu estilo. Porém, um ponto decepcionante é a taxa de quadros a 30fps, principalmente no Nintendo Switch 2.
Esperava mais nesse sentido, ainda mais levando em conta o poder gráfico do console atual da Big N. Não custava adicionar um desempenho aprimorado nessa versão.
O maior problema do jogo
Embora a falta dos 60fps seja um ponto negativo, a ausência do idioma português do Brasil é ainda mais sentida.
Sendo este um título onde precisamos interagir com nossos Miis e atender seus desejos, este é um grande problema e pode afastar boa parte dos jogadores.
Constantemente precisamos ler descrições e diálogos dos personagens. Aqueles que não possuem um bom entendimento do inglês, certamente irão abandonar o jogo.
Embora eu ache difícil acontecer, torço para que adicionem um patch com atualizações de idioma futuramente.
Vale a pena?
Tomodachi Life: Living the Dream é uma sequência que acerta em cheio ao expandir o carisma e as mecânicas do título original.
Se você busca uma experiência relaxante, com momentos hilários, fofocas inusitadas e o charme característico da Big N, o jogo certamente vai te proporcionar boas horas de diversão.
Por outro lado, é preciso colocar na balança os seus escorregões.
A trava nos 30fps no Nintendo Switch 2 soa como uma oportunidade desperdiçada de polimento técnico, mas o verdadeiro obstáculo é a ausência de legendas em PT-BR.
Como a essência da jogabilidade reside em ler diálogos, gerenciar os desejos dos Miis e rir das bizarrices de seus cotidianos, a barreira do inglês é inegável.
Em suma: se o idioma não for um problema para você e o ritmo cadenciado, quase como um Animal Crossing contemplativo, faz o seu estilo, o investimento vale a pena.
Caso você não tenha familiaridade com o inglês ou prefira jogos mais dinâmicos, é melhor deixar passar ou cruzar os dedos por uma futura atualização de localização.
Tomodachi Life: Living the Dream está disponível para Nintendo Switch 1 e 2.












