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Home Games Análises

007 First Light | Análise

Caio Nobre por Caio Nobre
26/05/2026
em Análises, Destaque, Games, Notícias

007 First Light é o novo projeto da IO Interactive que será lançado mundialmente no dia 27 de Maio.

Graças a NVIDIA Brasil, recebemos um chave do jogo em acesso antecipado e já pude finalizar essa aventura.

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A grande pergunta, no entanto, é: essa obra faz juz ao legado do nosso espião favorito? Vamos lá.

A história

Nossa campanha começa em uma missão de reconhecimento na Islândia, onde James Bond, no momento, um aviador da Marinha Real Britânica, está em um transporte aéreo com seu pelotão.

Do nada, eles são alvejados, o avião cai e nós precisamos fugir dali, escapando do grupo terrorista que está caçando os sobreviventes.

Passado um tempo, James descobre que acabou se envolvendo acidentalmente em uma situação de segurança nacional do MI6 e, após impressionar a organização, acaba sendo recrutado para o programa de treinamento dos 00.

Após concluída toda a etapa inicial do seu treinamento, incluindo algumas missões de campo que nos ensinam as mecânicas do jogo, recebemos nossa primeira grande missão, que envolve o agente 009, renegado do MI6 e um mestre da manipulação.

É aí que o jogo começa para valer, uma vez que as coisas acabam não saindo como o esperado e novos personagens são introduzidos nesse tabuleiro, no qual nem tudo é o que aparenta ser.

Não vou falar muito mais para evitar spoilers. Sendo esse um jogo de espionagem, ele envolve conspirações, segredos, traições e plot twists bem legais com os quais nos deparamos ao longo de toda a campanha.

A narrativa é muito bem construída e carrega com maestria os elementos conhecidos dos filmes do 007.

Personagens como a M, o Q e a Moneypenny estão presentes, interpretados por diferentes atores com o passar dos anos nos longas. No jogo, não é diferente.

Contudo, a narrativa brilha realmente graças à interpretação dos atores em 007 First Light. Patrick Gibson, na minha opinião, entrega um excelente James Bond. Mesmo sendo novato e imprudente, muitas das características marcantes do personagem estão presentes.

Outros nomes de peso integram o elenco, como Lennie James, o Morgan de The Walking Dead, dando vida a outro agente do MI6; o cantor Lenny Kravitz interpreta um contrabandista em uma parte da campanha, e há mais atores que mandam super bem em seus papéis.

A modelagem dos personagens, pelo menos a dos principais, está muito bem feita. As expressões são sensacionais e passam cada emoção sentida em diferentes momentos pelos personagens.

O destaque maior, obviamente, vai para os principais envolvidos na história, enquanto os NPCs secundários têm um nível de qualidade menor.

No geral, a história de First Light é excelente e digna do personagem, não só pelo roteiro em si, mas pela entrega incrível dos atores em seus respectivos papéis.

Gráficos

Desde os trailers apresentados pelo estúdio, 007 First Light já vinha impressionando no quesito gráfico, com ambientes, efeitos e modelos de personagens muito bem feitos.

Ao jogar, fiquei realmente besta com o que fizeram. O game traz ambientes bonitos e que saltam aos olhos. A modelagem dos personagens, como mencionei ao falar do enredo, é outro ponto de destaque, assim como os efeitos de luz e sombra, que deixam tudo ainda mais incrível.

Eu joguei na versão do PC, graças à NVIDIA, usando uma GeForce RTX 5080, com todas as configurações no Ultra, fazendo uso do DLSS 4.5 e do Multi Frame Generation em sua nova versão, que engloba as opções Dinâmica e x6.

O DLSS 4.5, mesmo no modo desempenho, entrega um nível de qualidade altíssimo, enquanto o Frame Generation, que setei no 6x em grande parte da minha campanha, garantiu um alto desempenho.

Tudo rodou de forma muito suave e, embora tenha me deparado com alguns probleminhas de stuttering inicialmente, a IO Interactive disponibilizou, antes mesmo do lançamento, um patch com foco em performance, que melhorou ainda mais a experiência.

Como visitamos diferentes partes do mundo em nossas missões, temos cenários distintos que apresentam uma beleza única, como resorts, desertos, mansões, áreas urbanas, laboratórios de pesquisa e assim por diante.

Os cenários podem ser destruídos, ao menos em parte, quando estamos em combate e jogamos os inimigos em aparelhos, janelas e por cima de mesas.

Os momentos em que dirigimos veículos, por exemplo, elevam ainda mais esse nível de destruição, principalmente em uma fase mais para o final.

O estúdio realmente fez um trabalho insano nesse quesito.

Gameplay

007 First Light é um jogo que adota a câmera em terceira pessoa, em que podemos ver o personagem por inteiro na tela, e tem fortes inspirações em jogos como Hitman, também feito pela IO Interactive, e Uncharted, devido à sua exploração e combate.

James pode andar, correr, se esconder, interagir com objetos e NPCs, escalar, usar armas de fogo, gadgets e lutar com os punhos.

Basicamente, a jogabilidade se divide em três vertentes, que vou detalhar separadamente: stealth (presente na maior parte do jogo), combate corpo a corpo e tiroteio frenético.

Sendo um jogo de espionagem, o comum é passarmos despercebidos pelos ambientes ou, no máximo, deixarmos os inimigos atordoados.

Para isso, James conta com alguns apetrechos e artimanhas para chamar ou desviar a atenção, seja de um segurança ou de algum funcionário, para que ele possa avançar ou conseguir algum item necessário naquele momento.

Usando a Lente Q, que pegamos logo no início do jogo, podemos mapear o ambiente e visualizar objetos que podemos mover, explodir ou hackear, e também a posição dos NPCs que representam risco para o nosso personagem.

É justamente nesse ponto que o jogo mostra a que veio, pois ele nos coloca em diferentes situações nas quais precisamos ser criativos no uso dos gadgets de Bond para atingir nossos objetivos.

Nós podemos, por exemplo, ligar uma copiadora para direcionar a atenção dos inimigos, hackear um ar-condicionado para espalhar fumaça e evitar que sejamos vistos, ou até mesmo explodir um extintor para derrubá-los.

Contudo, não são apenas aparelhos ou outros tipos de objetos que podemos usar. O jogo nos permite agir diretamente contra o NPC que está no nosso caminho, usando o laser do relógio para cegá-lo por alguns instantes, jogar minas de atordoamento e até dardos que causam náusea neles. São muitas as opções.

Mas há um porém: nós não podemos usar esses gadgets a todo momento, pois existe uma barra de uso para dois tipos específicos na qual precisamos ficar de olho. Vou explicar mais adiante, ao adentrar nos apetrechos do Bond.

Sendo assim, esses momentos exigem paciência por parte do jogador, e aqueles que não curtem tanto o stealth podem achar entediante. Mas eu recomendo fortemente que experimentem; é bem divertido.

Além dos apetrechos, temos um sistema de blefe, que vou explicar mais adiante, que também pode ser usado em algumas situações. É muito legal.

O combate corpo a corpo me lembrou bastante o que encontramos em Uncharted.

Embora limitado e um pouco duro, já que não é o grande foco em termos de gameplay, ficou legal, e sentimos o peso das porradas desferidas por James e também quando apanhamos do oponente.

Nós podemos bater, agarrar, dar uma investida para jogá-los contra a parede ou desarmá-los e tacar objetos do cenário para atordoá-los.

Quando somos atacados, podemos desviar de agarrões, nos quais aparece um sinal vermelho nos inimigos quando os usam, e dar counter em ataques normais, quando aparece um sinal amarelo.

Esse sistema funciona bem, salvo alguns momentos em que me frustrei um pouco com os comandos, que não responderam na hora que deveriam.

Já o gunfight se faz presente em algumas missões específicas, e nem sempre podemos recorrer a ele, a menos que a licença para matar seja ativada.

Para que vocês entendam, boa parte das missões envolve discrição, em que precisamos tentar ao máximo passar despercebidos e sem alertar os inimigos.

Contudo, dependendo do tipo de inimigo, e caso tenhamos uma arma entre os nossos recursos, o game nos avisa que só podemos usá-la caso alguém nos ameace também com uma arma de fogo.

Quando isso acontece, é ativada a licença para matar, e o tiroteio começa. No entanto, passamos por missões em que já temos permissão para usar força letal, utilizando uma pistola que pegamos no QG.

As demais armas que podemos usar, como metralhadoras, rifles e espingardas, só podem ser conseguidas ao derrubar os inimigos.

A jogabilidade nesse quesito é bem gostosinha, e, como joguei no PC, com teclado e mouse, tive um ganho na precisão para acertar mais facilmente os inimigos.

Porém, um ponto que preciso ressaltar é a facilidade ao topar com grandes grupos de adversários.

Houve momentos em que eu estava sem cobertura, com tiros vindos de todos os lados, e poucos me acertavam.

Não me leve a mal, isso não deveria ser um ponto de crítica, uma vez que meu personagem se manteve vivo, mas é um tanto estranho a maioria das balas não acertar. Lembrei-me dos Stormtroopers de Star Wars, por incrível que pareça.

Em suma, esses são os três sistemas principais presentes na jogabilidade de 007 First Light.

Inclusive, a IA dos inimigos desse jogo é bem ruim. Foram inúmeros os momentos em que os inimigos teriam me visto ou sido alertados, e isso não aconteceu.

Alguns exemplos: houve um momento em que joguei um boneco no andar de baixo de uma estrutura e ele caiu atrás de outro, que não foi alertado.

Mais para o final do jogo, matei um inimigo com um tiro, quebrando o vidro, e os que estavam na sala ao lado seguiram normalmente. Por vezes, passei em frente a um inimigo que não me avistou, mesmo eu estando a uma média distância.

Enfim, esses são apenas alguns exemplos de como a IA do jogo é falha.

Embora eu tenha ressalvas em alguns pontos, eu gostei bastante da minha experiência, principalmente com o seu ponto focal, que é o stealth.

Explorando oportunidades e o sistema de blefe

Após explicar a fundo as mecânicas, eu preciso detalhar a dinâmica de cada missão em termos de exploração e oportunidades.

Embora tenhamos um briefing e um acesso inicial a um determinado lugar que visitamos, existem áreas que necessitam de credenciais mais avançadas, de um convite, de uma chave, ou simplesmente não podem ser acessadas por Bond durante a jogatina.

É aí que entra o sistema de oportunidades de 007 First Light.

Quando exploramos os diferentes ambientes de nossa missão, além de coletáveis que podemos pegar para cumprir desafios, deparamo-nos com diferentes NPCs interagindo entre si.

Eles podem ser convidados de uma festa ou evento, ou funcionários que trabalham na segurança, gerenciam credenciais de acesso, e assim por diante.

Nesse momento, posicionamo-nos em um local estratégico para ouvir a conversa e desbloquear uma oportunidade, como o próprio jogo diz.

Dependendo da missão, mais de uma é desbloqueada para explorarmos, trazendo diferentes maneiras de conseguir o que precisamos para avançar. Isso é bem legal, pois nos sentimos realmente como um espião buscando brechas na segurança ou acesso a áreas restritas.

Ouvir conversas de diferentes NPCs no local é uma forma de encontrar diferentes maneiras para chegar aonde se deseja.

Alguns exemplos para que vocês possam entender: podemos inserir nosso nome em alguma lista, tomando o lugar de outra pessoa.

O jogo permite usar disfarces com roupas de funcionários, hackear um dispositivo e chamar a atenção dos NPCs para roubar sem ser visto, ou acessar alguma área rapidamente e pegar algum item. São muitas as possibilidades.

Além disso, o jogo também implementou uma mecânica social que nos permite blefar.

Existem áreas restritas em que, quando os NPCs nos veem, eles não saem atirando simplesmente; eles questionam o porquê de estarmos ali, pedem que deixemos o local, e temos a opção de obedecer ou blefar.

No centro da tela, na parte de baixo, quando estamos em locais reservados, aparecem duas opções: blefar e atrair.

O atrair, como o próprio nome já diz, serve para chamar a atenção dos NPCs, para que eles andem até um local onde podemos explodir um extintor ou derrubar algum objeto para deixá-los inconscientes.

O blefar é justamente para situações em que somos avistados e, caso tenhamos a quantia de energia suficiente, indicada por um símbolo de raio no HUD, podemos ludibriar a galera por alguns segundos para que possamos avançar ou sair daquele local.

Obviamente, não dura para sempre, então precisamos ser rápidos. Para conseguir mais energia e utilizar essas habilidades sociais, basta derrotar os inimigos.

Essas são artimanhas muito úteis, principalmente quando ficamos sem energia ou produtos químicos para o uso dos diferentes gadgets do Bond.

Os diferentes gadgets de Bond

Antes de partir para a ação, vez ou outra, retornamos ao QG do MI6 para saber os detalhes do nosso próximo objetivo e nos preparar adequadamente, selecionando os diferentes gadgets criados pelo Q.

Nós podemos equipar até quatro por vez, e o próprio jogo nos indica os recomendados para aquela missão, mas fica a gosto do jogador escolher o que mais lhe agrada.

Temos à nossa disposição o relógio Q para hacking, o celular de dardo, a mina de atordoamento, o bracelete de laser, a câmera de onda de choque, as cápsulas de fumaça e a caneta-míssil.

O nome de cada um é autoexplicativo e, conforme a composição ao equipá-los antes da missão, eles se tornam bem úteis para distrair, atordoar meliantes e até encontrar caminhos diferentes para seguir.

Contudo, como mencionei ao falar do gameplay, não podemos usá-los a qualquer momento.

No canto inferior esquerdo da tela, temos o HUD do relógio com duas barras: uma azul e uma verde. A azul indica energia ou bateria, enquanto a verde indica o uso de produtos químicos.

Esses dispositivos precisam desses recursos para serem usados e, na tela de seleção, ao passar por cima de cada um, é possível ver o que eles consomem.

“Mas como coletamos essa bateria ou os produtos químicos durante o gameplay?”, você me pergunta.

Na verdade, é bem simples: enquanto exploramos, aparecem em muitos locais aparelhos que concedem energia ou frascos de produtos químicos que também recuperam esse recurso.

Basta ficar atento e administrar bem cada um deles.

Pode parecer pouco à primeira vista, apenas sete gadgets, mas eles são suficientes para explorar as inúmeras possibilidades dentro de uma missão.

Desafios e o simulador tático

Mesmo sendo um jogo mais linear e direto ao ponto, ele disponibiliza alguns coletáveis e desafios globais para realizar. A campanha é dividida em capítulos, e cada um também possui seus próprios desafios. Ao completá-los, podemos desbloquear recompensas como novos trajes para James; contudo, temos um outro menu que deve ser explorado, chamado Simulador Tático (TacSim).

Acessível no laboratório Q após a primeira missão de campo, o modo inicia com dois treinamentos básicos e libera todo o seu conteúdo somente após o encerramento da jornada principal.

O TacSim funciona sob uma dificuldade única e fixa, eliminando qualquer chance de facilitar a experiência.

Suas missões dividem-se em Escalonamentos (com três níveis de dificuldade crescente) e Operações (focadas em exploração e adaptabilidade), trazendo de 7 a 10 desafios específicos por mapa.

Além disso, o modo possui um ecossistema próprio de progressão: completar os objetivos concede XP, que eleva o nível de acesso para liberar novos itens na loja e Intel, a moeda usada para comprar armas de fogo, trajes e melhorias de dispositivos.

Toda essa dinâmica é coroada por um sistema de pontuação baseado em Tempo, Estilo e Precisão, que alimenta placares de líderes globais e entre amigos.

Em minha opinião, o simulador é um modo muito interessante para se explorar tanto durante quanto depois da campanha, mas principalmente após o seu término.

Como o TacSim só entrega a totalidade de suas missões e itens no pós-jogo, ele se transforma no pilar central para elevar o fator replay do título.

É o ambiente perfeito não apenas para refinar e relembrar mecânicas de gameplay com um arsenal totalmente customizado, mas também para garantir uma sobrevida excelente ao jogo para aqueles que querem buscar os 100% e disputar o topo dos rankings.

Problemas?

Durante a minha jogatina em 007 First Light, acabei me deparando com alguns problemas, mas nada que comprometesse demais a minha experiência.

O jogo chegou a crashar e fechar apenas uma vez, mas consegui voltar normalmente no ponto em que estava no meu save.

Ocorreram, vez ou outra, delays de renderização nos cenários e em alguns objetos que, pelos testes que fiz após a nova atualização, parecem ter sido resolvidos.

Mas o que de fato me causou mais irritação foram os delays de comando algumas vezes no combate, tanto no corpo a corpo quanto ao usar armas de fogo.

Vale a pena?

007 First Light entrega uma experiência de espionagem robusta e digna do peso que a franquia carrega.

A IO Interactive conseguiu mesclar com maestria a identidade clássica de James Bond com o DNA de furtividade e criatividade que já conhecemos de títulos como Hitman.

A história é cativante, impulsionada por atuações formidáveis, com destaque para Patrick Gibson, que encarna um Bond novato, imprudente e cheio de personalidade e um design de mundo visualmente deslumbrante que brilha ainda mais no PC.

O sistema de oportunidades, as mecânicas de blefe e o uso criativo dos famosos gadgets do Q garantem que a exploração e o stealth sejam o ponto alto da aventura.

É verdade que o jogo tropeça em alguns momentos. A Inteligência Artificial dos inimigos deixa bastante a desejar em diversas situações, quebrando um pouco a imersão, e o combate corpo a corpo, junto com os ocasionais atrasos nos comandos, mostram que ainda há margem para refinamento mecânico.

No entanto, esses problemas não apagam o brilho da obra como um todo.

Para os fãs de longa data do agente secreto, ou simplesmente para quem busca um excelente jogo de furtividade e ação tática, First Light é uma missão que merece ser aceita.

007 First Light será lançado em 27 de maio para Playstation 5, Xbox Series X|S e PC.

Veja também a nossa análise completa no Youtube:

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