Replaced foi anunciado a muitos anos e, após alguns adiamentos, finalmente está em entre nós.
Graças a assessoria da Sad Cat Studios, recebemos uma chave do jogo em acesso antecipado e podemos falar, finalmente, se o jogo vale ou não a pena. Fiquem tranquilos, pois essa análise não contém spoilers. Vamos lá!
O enredo
Replaced é um jogo de plataforma 2.5D ambientado em um universo Cyberpunk distópico dos anos 80 onde, após uma catástrofe nuclear, a humanidade luta para se reerguer.
Após essa tragédia, os figurões da alta cúpula se mobilizaram e criaram a corporação Fênix, visando unir a população e reconstruir o que foi perdido. Sendo assim, a corporação construiu uma muralha gigantesca com o intuito de manter as pessoas fora dos locais com maior foco de radiação.
No entanto, nem tudo é o que parece, pois, além dos muros, existem aqueles que não tiveram tanta sorte e foram descartados, vivendo de forma precária e lutando por migalhas da corporação.
Só que não para por aí: à medida que avançamos, coletamos documentos e vemos registros secretos, descobrimos que os objetivos dessa empresa são mais nefastos do que aparentam.
Em meio a tudo isso, assim que começamos a campanha, conhecemos Warren, o nosso protagonista, que também é um pesquisador da Corporação Fênix.
Ele é o responsável por desenvolver Reach, uma inteligência artificial usada para coleta de dados e análises de compatibilidade, para fins que não irei entregar aqui.
Em um momento de frustração, e conectado ao Reach via um aparelho neural, ocorre uma explosão no laboratório; Warren apaga e, quando acorda, não é mais o mesmo.
Reach, a inteligência artificial, tomou conta do seu corpo e, assim, começa a nossa jornada, sendo necessário fugir da polícia, ir para além das muralhas e procurar abrigo.
É aí que Reach encontra Tempest, um dos principais personagens da trama, que o apresenta a uma comunidade de descartados que vive em uma estação ferroviária. Seu objetivo inicial é retornar ao laboratório e desfazer seja lá o que aconteceu que acabou inserindo uma IA no corpo de um humano.
A história de Replaced é um dos pontos fortes dessa jornada, pois, além de vivenciarmos a busca existencial de Reach, outras camadas são apresentadas, como humanidade, sobrevivência, pressão corporativa e desigualdade — aspectos que tornam esse enredo rico.
É muito legal ver que, mesmo sendo um jogo onde os diálogos são apresentados via texto e não temos uma interpretação de voz dos personagens propriamente dita, conseguimos nos envolver com cada um deles ao conhecer suas histórias e motivações.
Reach, por ser uma IA, não transmite tanto carisma, mas é interessante ver sua evolução, seus questionamentos e como ele aprende com as pessoas à sua volta. E a trama, à medida que avançamos, dá algumas guinadas bem legais que nos mantêm curiosos para ver seu desfecho.
Minha única ressalva, contudo, é o seu ritmo lento em alguns momentos — mais por conta de cenários extensos onde só andamos para frente, que irei comentar mais adiante, do que pela história em si.
Gráfico
Esse é, sem dúvida, o aspecto que mais me chamou a atenção nos primeiros trailers de Replaced.
Eu sempre gostei bastante de jogos no estilo pixel art e, aqui, o estúdio conseguiu elevar o nível. Mesmo com esse estilo artístico, visitamos cenários lindíssimos, bem trabalhados e recheados de detalhes.
Quando cheguei pela primeira vez na estação, onde havia muitas pessoas e ambientes mais iluminados com barracas e outras estruturas, eu fiquei besta.
Tudo foi muito bem pensado e feito com carinho, mas o ponto que mais me chamou a atenção, nesse sentido, foi o trabalho de iluminação. É lindo demais.
E isso só melhora à medida que avançamos e visitamos as demais áreas do jogo.
Como funciona o gameplay
Conforme conferimos na demo, o gameplay de Replaced é bem simples. Sendo um jogo de plataforma, basicamente andamos para a esquerda e para a direita, salvo alguns cenários que nos permitem acessar locais atrás e à frente do plano em que estamos.
O Reach pode andar, pular, interagir com objetos e lutar usando uma arma da corporação que alterna entre um cacetete e uma arma de fogo.
Os controles, no geral, respondem muito bem, salvo alguns raros momentos em que o personagem não respondeu aos comandos como deveria, principalmente na parte de combate.
Felizmente, isso não ocorre com uma frequência preocupante que possa atrair problemas para as lutas.
Já no embate contra os inimigos, o jogo tem uma pegada similar ao que vemos na franquia Batman Arkham, onde batemos na galera e podemos contra-atacar golpes ao apertar o botão de counter no momento certo.
Alguns inimigos possuem ataques indefensáveis, sendo necessário usar a esquiva e, à medida que avançamos, novos recursos vão sendo introduzidos para lidar com grupos maiores de adversários.
Temos uma espécie de parry contra os que atiram, uma picareta para destruir escudos e armaduras, o tiro da nossa arma após ser carregado, entre outros.
Em suma, o combate é bacana, mas segue a mesma fórmula com algumas adições, podendo ficar maçante após longas horas de jogatina.
Outro aspecto muito presente em Replaced é a navegação pelas diferentes áreas. Como expliquei há pouco ao falar dos gráficos, o jogo é muito bonito e traz um aspecto contemplativo em cada local por onde passamos.
No entanto, o jogo tem um ritmo lento, conforme citei no tópico da história. Algumas áreas, na minha visão, são desnecessariamente grandes e possuem muitos obstáculos e puzzles para passar.
Para que entendam melhor, esses obstáculos consistem em pular sobre plataformas, escalar, saltar de um local para outro no momento certo e evitar quaisquer elementos do cenário que possam matar o personagem.
No meu caso, isso aconteceu algumas boas vezes enquanto jogava; o game não dá mole para o jogador em muitas partes.
Nos deparamos com alguns momentos furtivos, onde precisamos nos esgueirar por dutos e nos esconder atrás de caixas ou paredes destruídas para que não sejamos pegos.
Já nos puzzles, precisamos movimentar elementos do cenário para alcançar algum item-chave, como uma bateria para energizar algum aparelho, ou resolver um quebra-cabeça para abrir uma cela, por exemplo.
Esses obstáculos são bem legais e trazem um fator desafio, mas, em grande quantidade, como em áreas maiores, comecei a sentir um certo cansaço. Isso se dá, principalmente, ao fato de o nosso protagonista não possuir um botão de corrida.
Ele até corre, mas em momentos específicos, quando estamos em alguma situação de urgência.
Sendo assim, embora o gameplay no geral seja bacana, ele peca nesses pontos, ainda mais se tratando de um jogo que ultrapassa as 10 horas de duração.
Exploração e missões secundárias
Em Replaced, existe sim um fator exploração dos cenários, mesmo que seja mínimo, mas bem vantajoso.
Como sempre vamos para a esquerda ou para a direita nos ambientes, conforme indica a missão, é necessária atenção para encontrar alguns locais escondidos que rendem recompensas.
Além disso, quando estamos na estação, podemos realizar algumas atividades secundárias que também nos rendem essas mesmas recompensas, como aumentar a vida máxima, a quantidade de energia carregada da nossa arma, o número de kits para cura e assim por diante.
Fazer essas missões é bem legal pois, além dos upgrades, conhecemos um pouco mais dos habitantes que vivem naquela comunidade e suas histórias.
Bugs
Fora o problema de delay que mencionei ao detalhar o combate, teve um outro específico que me incomodou bastante.
Em um dado momento do jogo, conseguimos a habilidade “sobrecarga” para a nossa arma.
Quando a ativamos, podemos atirar em vários inimigos de uma vez só; o problema é que, ao dar cabo de todos, muitas vezes a arma continuava atirando sem parar.
Sendo assim, precisei reiniciar o último checkpoint e, na maioria das vezes, tive que refazer a luta novamente sem usar esse recurso. Isso foi bem irritante e deve ser ajustado logo no lançamento.
Conclusão
Replaced me chamou muito a atenção desde que foi anunciado anos atrás.
Após jogar a demo, curti ainda mais o projeto e fiquei bem animado pela versão final.
O combate e a exploração são legais, embora ambos sejam um pouco comprometidos pelo ritmo lento e pela repetitividade em alguns momentos.
Contudo, os pontos fortes do jogo, na minha opinião, são os gráficos e a história. A ambientação construída em pixel art, usando perfeitamente efeitos como iluminação e sombra, entrega cenários de cair o queixo.
Já a história traz uma profundidade bem interessante ao abordar temas como humanidade, sobrevivência, opressão corporativa e até mesmo identidade. Apesar dos defeitos que citei, recomendo fortemente que dê uma chance a essa jornada, principalmente se você curtiu a demo.
Torço muito para que tenhamos mais jogos com esse cuidado e capricho.
Replaced já está disponível para todos no PC e no Xbox Series X|S.
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