A.I.L.A é o novo projeto da Pulsatrix, responsável pelo incrível Fobia, lançado em 2022.
Tivemos a oportunidade de jogar este novo projeto de forma antecipada e agora vocês conferem a nossa análise, sem spoiler, desta nova aventura tenebrosa.
Enredo
Assim que iniciamos nossa jornada, após uma introdução tenebrosa, somos apresentados a Samuel, nosso protagonista, que trabalha como testador de jogos para a empresa SyTekk.
Não demora muito para que recebamos um pacote da empresa, contendo uma nova experiência em realidade virtual, com o uso de inteligência artificial, chamada A.I.L.A.
Um ponto interessante do jogo é o fato de incluir todo o trâmite de recebimento e instalação do software no computador pessoal de Samuel.
Acessamos sua área de trabalho, instalamos aplicativos e realizamos outras interações.
Ao iniciar A.I.L.A pela primeira vez, somos apresentados à inteligência artificial, e o objetivo é avaliar as diferentes simulações geradas, com o intuito de fornecer feedback à SyTekk, empresa onde Samuel trabalha.
Contudo, conforme A.I.L.A nos explica no início do jogo, suas simulações são criadas a partir dos sentimentos e medos vivenciados pelo jogador.
Como resultado, visitamos diferentes locais aterrorizantes durante nossa jornada, cada um com uma história que envolve o personagem principal.
A premissa do jogo é bastante interessante, pois traz reflexões sobre o uso intenso de realidade virtual e inteligência artificial. À medida que avançamos, ficamos intrigados em saber até que ponto A.I.L.A irá em suas criações, como Samuel lida com tudo isso e de que forma esses lugares estão relacionados à sua vida pessoal.
Temos algumas reviravoltas surpreendentes e um sistema de escolhas que pode levar a diferentes finais, o que reforça o fator de replay, caso você queira ver outras perspectivas.
O enredo é, sem dúvida, um dos pontos altos do jogo. Gostei bastante.
Gráficos e Ambientação
O primeiro jogo da PulsaTrix, Fobia, impressionou a todos por apresentar gráficos muito bons, especialmente por se tratar de um jogo independente.
Em A.I.L.A, não é diferente. Aqui temos o mesmo esmero do seu antecessor, ao apresentar gráficos realistas e criar uma atmosfera insana, capaz de nos deixar tensos a todo momento.
Toda a ambientação foi cuidadosamente pensada, e cada simulação apresenta um estilo único que impressiona.
Existem alguns pequenos problemas de texturas aqui e ali, além de delays de renderização em alguns momentos, mas nada muito drástico.
No quesito gráfico, A.I.L.A conseguiu elevar a régua em comparação ao primeiro jogo do estúdio.
Eu joguei a versão para PC usando uma GeForce RTX 5080, fornecida pela NVIDIA, e, de fato, o jogo fica muito bonito com suas configurações máximas.
Gameplay
Um dos pontos mais importantes em A.I.L.A, senão o mais importante, é seu gameplay.
Aqui temos uma mescla de exploração, resolução de puzzles e combate, conforme a simulação que estamos vivenciando no momento.
Basicamente, em cada experiência, exceto a primeira, que tem um grande foco em exploração, como já mencionado, temos à nossa disposição itens de cura, que podem ser combinados com ervas para aprimorar seu efeito, armas brancas e armas de fogo.
Essas armas variam conforme a experiência em que estamos imersos, já que nos colocam em locais e épocas diferentes.
Vale ressaltar que os recursos adquiridos em cada simulação não são mantidos na próxima, pois um novo ambiente é gerado pela A.I.L.A.
Durante cada fase, coletamos diversos itens, como chaves e peças de quebra-cabeça, para desbloquear novas áreas da simulação.
Quanto ao nosso protagonista, ele pode andar, correr, interagir com objetos e combater inimigos.
Tudo é bastante simples e fácil de entender, no entanto, o combate em si é um aspecto que necessita de atenção e pode causar frustrações.
Infelizmente, as batalhas contra os inimigos deixam a desejar em muitos momentos, e as animações de alguns deles, como os da fazenda, por exemplo, precisam de ajustes.
Quando atacamos os monstros com armas brancas, ao desferir um golpe que os atinge, a falta de impacto – tanto da ação quanto da reação do inimigo – fica bem evidente.
São poucos os momentos em que eles realmente sentem o golpe a ponto de ficarem atordoados, pois, na maioria das vezes, são capazes de contra-atacar durante nossa investida. Isso pode ser bastante frustrante.
O mesmo acontece com as armas de fogo, com exceções como a escopeta, que possui tiros mais potentes.
Até mesmo o rifle, que adquirimos mais adiante, em algumas situações, ao atirar na cabeça dos inimigos, eles não parecem sentir o impacto e correm em nossa direção imediatamente.
Isso, aliado a alguns problemas de animação de determinados adversários, pode impactar negativamente na experiência de jogo, uma vez que o combate é uma parte considerável dele.
Quanto às boss fights, elas são legais, mas sinto que poderiam ser melhor elaboradas, explorando mais os diferentes perigos que cada uma representa. Boa parte delas acaba seguindo um mesmo padrão.
Exploração e Puzzles
Em contrapartida, outro fator muito presente, que já mencionei anteriormente, é a exploração.
O level design de cada simulação gerada pela A.I.L.A é muito bem elaborado e nos incentiva a explorar cada cantinho do ambiente, em busca de segredos e recursos.
Sendo um jogo de terror, a Pulsatrix trabalhou com maestria a atmosfera, de forma que ficamos na ponta da cadeira praticamente o tempo todo.
O design de som é sensacional, pois sempre ouvimos barulhos distintos, como coisas caindo, portas ou madeiras rangendo, gritos ao longe, risadas sinistras e muito mais.
Os únicos momentos de “tranquilidade”, digamos assim, são aqueles em que estamos fora desses mundos virtuais, em nosso apartamento.
O ato de vasculhar não serve apenas para coletar recursos, mas também para encontrar itens-chave que nos permitem seguir adiante nas simulações e, como já era de se esperar, encontramos alguns puzzles pelo caminho.
Os quebra-cabeças em A.I.L.A são realmente muito bons, com alguns sendo fáceis, mas que demandam atenção do jogador, até outros mais complexos que podem causar um bloqueio momentâneo.
Na quarta simulação, que não revelarei qual é, passei alguns bons minutos tentando entender o que deveria ser feito em determinados puzzles, que foram muito bem pensados.
Eu, particularmente, gosto muito desse tipo de desafio, então foi uma adição bastante bem-vinda para mim.
O estúdio caprichou nos puzzles, na exploração e na atmosfera presentes em A.I.L.A.
Bugs
Como mencionei ao falar da parte gráfica, encontrei alguns problemas durante minha jornada, e certos bugs se destacaram.
Durante a segunda simulação, havia um inimigo específico que acabou travando em um local, facilitando minha exploração na casa em que estava.
A troca de armas poderia ser um pouco mais responsiva, pois, em certos momentos em que eu precisava mudar para a segunda arma rapidamente, presente na fileira da esquerda, ao apertar o número 1 do teclado duas vezes, por exemplo, o personagem não sacava a nova arma, apenas guardava a primeira.
Isso, em momentos mais intensos com inimigos atrás de nós, pode ser fatal, já que seus ataques causam uma quantidade considerável de dano.
E o mais drástico, ao meu ver, são os saves manuais, que não estão funcionando como deveriam. Em pontos específicos, o jogo apresenta checkpoints que geram saves automáticos.
No entanto, ele também nos oferece a opção de criar saves manuais a qualquer momento, mas ao carregá-los pelo menu ou durante o gameplay, o jogo sempre retorna ao último ponto de controle gerado automaticamente.
Isso pode ser bastante frustrante e, em um determinado momento na terceira simulação, acabei voltando mais do que gostaria e perdi uma parte importante do meu progresso devido a esse bug.
É algo que precisa ser ajustado com urgência, na minha opinião.
Conclusão
A.I.L.A é um jogo muito bom e apresenta ideias interessantes.
A história é intrigante, não só pelas interações com a A.I.L.A, mas também pelos mistérios da vida de Samuel, que descobrimos ao longo da jornada.
Toda a reviravolta envolvendo essa IA é bastante envolvente e nos faz refletir sobre a inclusão delas em nosso cotidiano.
A exploração, atmosfera, gráficos e puzzles foram muito bem elaborados pela Pulsatrix. É claramente um salto significativo se comparado ao seu primeiro jogo.
Minha maior crítica, contudo, vai para o combate, que peca em alguns aspectos e é uma parte considerável do jogo.
Isso, ao meu ver, pode pesar para alguns jogadores ao vivenciar essa experiência, principalmente para os entusiastas de shooters em primeira pessoa.
Obviamente, o game precisa de alguns ajustes, mas, no conjunto da obra, A.I.L.A é um jogo que vale muito a pena.
Se você é fã de terror e gostou de Fobia, tenho certeza de que vai gostar do que a Pulsatrix preparou neste novo projeto.
A.I.L.A foi lançado hoje (25) e está disponível para Playstation 5, Xbox Series X|S e PC.
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