Participamos da cabine de imprensa que deu acesso antecipado ao filme que amplia o universo de uma das franquias de terror e ficção científica mais aclamada de todos os tempos: “Predador – Terras Selvagens”.

No longa, acompanhamos a história de Dek, um jovem Yautja que é brutalmente rejeitado e condenado por seu pai por ser considerado fraco demais. Em busca de redenção, aprovação e vingança, Dek viaja ao planeta Genna, um local repleto de criaturas perigosas onde habita o mais temido dos seres: Kalisk. Dek assume como missão matar o Kalisk não apenas para provar seu valor e capacidade, mas como forma de vingança ao seu impiedoso pai. Na jornada, o protagonista irá conhecer um novo mundo surpreendente e perigoso, além de criar vínculos inesperados.
Ao contrário de seu “rival” Alien, que manteve a essência aterrorizante e sombria até a mais recente obra (Alien Romulus), Predador – Terras Selvagens não bebe uma gota sequer do gênero terror. Dek não é retratado como um ser aterrorizante ou um assassino cruel. Mais frágil fisicamente e mais sensível que os outros de seu clã, o protagonista traz, pela primeira vez, um Yautja que irá cativar e se conectar ao espectador. Aqui, o cenário assustador é diluído e dá lugar a um misto de ação, ficção científica, drama e até mesmo comédia. Apesar de essa nova fórmula abrir portas para críticas severas por parte dos fãs mais conservadores da saga Predador, Dan Trachtenberg fez um excelente trabalho aqui. Com um cenário cinematográfico em que estamos a cada vez mais sem inovação, a decisão de Dan em se arriscar e equilibrar a postura e o comportamento absolutamente cruéis dos Yautja com a personalidade sensível de Dek trouxe um excelente resultado. É um filme que carrega consigo a essência dos enredos de filmes anteriores? Não. Mas aqui temos uma história que atrelada aos efeitos visuais e ambientações, trouxe uma das obras que melhor desencadearam a sensação de imersão. Em todos os aspectos: pelo sonoro, pelo visual, e principalmente pelo enredo capaz de conectar e tornar “Predador – Terras Selvagens” uma verdadeira experiência para o público.

As novas descobertas de Dek sobre aquele mundo desconhecido se atrelam as descobertas que o personagem faz de si próprio: de que ele é capaz de ser amigável, trabalhar em equipe, ter empatia e até fazer piadas.
Sobre a parte visual do filme (que creio ser o destaque da obra), é praticamente impossível encontrar o que retocar. Os efeitos, sejam eles práticos ou digitais, nos dão a dimensão de tudo o que há em Genna de forma detalhada. As criaturas representadas no longa são extremamente bem pensadas e executadas, surpreendendo pela riqueza de detalhes e como cada uma dessas criaturas entra no enredo. As cenas de luta são bem coreografadas e mesmo se tratando de ambientes grandiosos, tudo é cuidado em detalhes. No entanto, a parte negativa do aspecto visual está, acreditem ou não, na aparência do próprio protagonista. Dek traz uma expressividade triste, e um visual esteticamente desagradável, se comparado aos predadores de outros filmes da saga. Creio que possa se tratar de uma decisão que visa associar a personalidade a aparência do personagem. No entanto, já que o tom aterrorizante aqui foi neutralizado pela inserção de outros gêneros, poderiam ter mantido a aparência sombria do personagem.
Em “Predador – Terras Selvagens”, veremos uma já conhecida franquia fazer inovações em seu roteiro. E essa, apesar de arriscada, me pareceu uma decisão correta, uma vez que trouxe elementos novos e nos permitiu saber mais de perto sobre Dek. A história tem início, meio e fim, não deixa pontas soltas, e revela novas formas de conhecer ainda mais a forma de vida Yautja. Ao assistir “Predador – Terras Selvagens”, creio que boa parte do público entenderá que o objetivo não foi apenas humanizar e sensibilizar o protagonista, mas criar um enredo inovador que proporcione algo diferente do que já é clichê quando se trata de Predador. Então por que não tentar coloca-lo como personagem central e até mesmo um “mocinho”?
Foi uma decisão arriscada por parte dos desenvolvedores, mas considero essa decisão justificável. Não deixaremos de ter suspense, ação, e ficção científica, mas seremos conduzidos por esses elementos de forma muito leve.
“Predador – Terras Selvagens” é uma boa história, diferenciando-o dos sanguinolentos antecessores. Traz um plot twist maravilhoso e deixa um gancho para uma continuação. Para alguns, uma afronta ao gênero terror no qual Predador era imerso desde 1987, mas para outros um novo atalho que pode levar a franquia a uma forma de produzir filmes diferenciada. Dek irá encontrar força em suas fraquezas, e proporcionar uma história memorável.
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