O Meia Lua teve a oportunidade de participar da cabine de imprensa do filme “O Morro dos Ventos Uivantes”, longa adaptado do livro de mesmo título escrito por Emily Brontë. Sob a direção de Emerald Fennell, o filme retrata a dramática e brutal história de Catherine Earnshaw (Margot Robbie) e Heathcliff (Jacob Elordi). Adotado ainda criança pelo pai de Catherine, Heathcliff se torna absolutamente protetor e devoto a ela, relação que futuramente se desdobra para um jogo de amor doentio entre ambos. Apesar de a sinopse seguir uma fórmula já conhecida de amores proibidos e casamentos por conveniência, o enredo da obra se desenrola de forma a fugir absolutamente do clichê, trazendo reviravoltas no decorrer de sua duração que justificam o destaque dentre tantos outros romances.
Segundo Emerald, a versão cinematográfica não abordaria uma adaptação totalmente fidedigna do livro, podendo ser uma reinterpretação do conteúdo antes abordado. Na versão para as telas, a escolha de atores dilui um ponto importante do enredo: o preconceito racial vivido por Heathcliff. No entanto, conhecendo ambas as obras, acredito que o filme traga sim uma releitura, mas de forma respeitosa ao material anterior. Apesar de não se tratar de uma representação totalmente literal, o filme conseguiu traduzir em imagens o conteúdo fonte mantendo sua essência dramática o suficiente para dar ao espectador uma experiência imersiva capaz de mantê-lo completamente centrado durante mais de duas horas de duração.
Ponto de destaque absoluto no longa, a fotografia de “O Morro dos Ventos Uivantes” é digna de premiação. Tudo o que engloba o aspecto visual é executado de forma irretocável, criando uma obra que além de assistida, será admirada. Os cenários e figurinos são apenas parte de uma composição visual viciante que envolve enquadramento, cores e movimentação.

Antes mesmo de sua estreia, “O Morro dos Ventos Uivantes” sofreu duras críticas por seu material de divulgação: o trailer apresentava conteúdo excessivamente apelativo e sexualizado, suprimindo todo o drama e tensão esperados. Posso afirmar seguramente que a prévia não faz jus ao que vemos no desenvolvimento da trama: a intimidade sexual entre Catherine e Heathcliff é apenas um detalhe mediante ao que compõe o filme. A história apresenta uma carga emocional intensa, trazendo aspectos tão fortes que serão “engolidos a seco” pelo público: aqui, a paixão entre os personagens está envolta por questões sociais, vingança, obsessão e uma inclinação constante a tragédia. Tudo isso é aprimorado com o trabalho de elenco que justifica por si só as escolhas feitas pelos desenvolvedores. O sucesso vai muito além da química quase palpável entre Margot Robbie e Jacob Elordi, se estendendo a interpretação do odiável Sr. Earnshaw (Martin Clunes) ou do monótono Edgar Linton (Shazad Latif). Ainda sobre as atuações, vale destacar positivamente o trabalho de Alison Oliver, que interpreta Isabella Linton: Alison conduz a personalidade infantilizada e caricata de Isabella com maestria, tornando a personagem cativante e absolutamente crível.
Costumo sempre ressaltar a dificuldade e o risco existentes em adaptar para o cinema qualquer obra anteriormente conhecida. No entanto, é necessário exaltar o trabalho feito em “O Morro dos Ventos Uivantes”, uma vez que o filme parece a tradução perfeita em imagens do que imaginávamos lendo o livro.
Mesmo não sendo uma grande fã do gênero romance, considero que a história sombria e intensa tornam “O Morro dos Ventos Uivantes” uma obra sedutora para mim. Não é feito para agradar em massa, sendo considerado controverso desde a criação original de 1847, mas é justamente o descompromisso de um final feliz e de um desenvolvimento clichê que o tornam excepcional. Portanto, fica a sincera e segura indicação para que você, conhecendo ou não o livro de Emily Brontë, assista ao filme de 2026.
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