Ninja Gaiden: Ragebound é o novo título da série que resgata a perspectiva 2D estilizada em pixel art dos clássicos, para nos apresentar uma nova aventura repleta de ação.
Graças à agência Masamune, recebemos uma cópia antecipada do jogo e podemos contar tudo, sem spoilers, sobre esse novo projeto da Dotemu, em conjunto com a The Game Kitchen, responsável por Blasphemous.
E aí, este novo título faz jus à franquia? Vamos lá!
A História
Ao iniciar nossa jornada, após um breve prólogo, somos apresentados a Kenji, que está sendo treinado pelo famoso Ryu Hayabusa, protagonista da série Ninja Gaiden.
É nesse momento que aprendemos as mecânicas básicas de gameplay, que discutirei mais adiante.
Após uma intensa sessão de treinamento, a sacerdotisa do clã Hayabusa vai ao encontro de ambos para avisar que o clã está sendo atacado por demônios que estão descendo as montanhas.
Antes mesmo de Ryu partir para a batalha, a sacerdotisa menciona uma carta deixada por seu pai.
Ao ler a carta, Ryu precisa partir imediatamente para os Estados Unidos, deixando tudo nas mãos de Kenji, nosso protagonista, que se dispõe a eliminar as ameaças.
Após vencer algumas hordas de demônios e lutar contra alguns chefes, Kenji se encontra em uma situação delicada e, nesse momento, cruza com Kumori, uma ninja do clã Aranha Negra, rivais dos Hayabusa, que também está em apuros.
Em meio a uma situação nada favorável—que não entrarei em detalhes aqui para evitar spoilers—ambos tomam a decisão de se fundirem utilizando um artefato misterioso que Kumori possui.
Assim, como já vimos em trailers e na demo, passamos a ter controle de ambos os personagens na jornada.
O enredo de Ragebound é bem interessante, simples e direto, além de despertar a nossa curiosidade para entender mais sobre tudo o que está acontecendo e como os demônios começaram a invadir a terra.
A interação dos dois protagonistas durante a campanha é divertida de acompanhar, com muitas trocas de farpas e cooperação.
Embora o jogo seja relativamente curto, em torno de 6 a 7 horas—que pode aumentar ao realizar as operações secretas (missões secundárias) —eu achei o tempo ideal para o que o jogo propõe. Me diverti bastante do início ao fim e passei por sufocos em alguns momentos mais desafiadores.
A Cereja no Bolo: O Gameplay
O ponto alto de Ninja Gaiden: Ragebound é, sem dúvida, seu gameplay, que remete aos jogos clássicos da série, trazendo uma perspectiva 2D em pixel art.
Embora tenhamos dois personagens principais que caminham juntos em 90% da aventura, controlamos, na maior parte, Kenji. Ele usa ataques frontais com a espada, pode pular, se esquivar e usar parry durante um salto, apertando novamente o botão de pulo no momento certo.
Esse último é muito importante durante a jogatina, não só contra inimigos que usam projéteis, mas também para trechos de travessia onde precisamos usar elementos do cenário e até mesmo monstros para avançar.
Praticamente tudo pode ser aparado no jogo, e você irá entender ao experimentar.
Kumori, que é basicamente um espírito no corpo de Kenji, tem habilidades que consistem em atirar kunais—seu ataque básico—e outras armas que podemos equipar, que compõem seu ataque especial.
No entanto, usar as habilidades de Kumori consome energia espiritual, que pode ser carregada ao eliminar inimigos. Portanto, é importante ficar atento à sua barra de energia.
Existem poucos momentos em que temos controle total de Kumori, e isso acontece ao encontrar um altar demoníaco.
Quando isso ocorre, ela se conecta ao outro mundo e temos um tempo limitado—que pode ser carregado ao destruir alguns orbes—para percorrer um caminho e ativar dispositivos que liberam a passagem para Kenji.
Esses momentos exigem boa agilidade do jogador e podem ser complicados.
Outro ponto importante são os ataques potencializados de ambos ao utilizar uma hipercarga. Durante a jogatina, certos inimigos que nos atacam possuem uma aura azul ou vermelha que os diferencia dos demais.
Ao eliminá-los, essa aura gera uma hipercarga em nossos protagonistas, que podem desferir um ataque poderoso capaz de destruir de uma vez inimigos que normalmente requerem mais golpes para serem derrotados.
Caso não apareçam monstros com aura em um segmento, podemos também sacrificar uma pequena parcela do nosso HP para conseguir essa hipercarga.
A aura azul potencializa os ataques de Kenji, enquanto a vermelha potencializa os da Kumori. Além do parry, esse é outro recurso extremamente importante para superar situações mais complicadas e ajuda muito nas lutas contra chefes.
Por fim, quando os dois se unem, podemos utilizar também um poder supremo, chamado de Arte Ragebound, capaz de causar grande dano nos inimigos.
Esse poder pode ser alterado à medida que desbloqueamos novos ao atingir rankings mais altos no fim de cada fase.
A jogabilidade, de modo geral, é extremamente fluida, ágil e funciona muito bem. Certos momentos exigem bons reflexos e destreza do jogador, principalmente quando há muitos inimigos na tela.
Já havia gostado bastante quando experimentei a demo e, ao jogar a versão final, pude me divertir ainda mais nas diferentes fases que visitamos e nos inimigos que enfrentamos.
Adquirindo Habilidades
Ao final de cada fase, podemos visitar o Muramasa, NPC do clã Hayabusa que comercializa diferentes talismãs e habilidades.
À medida que exploramos os cenários, podemos encontrar caveiras, pergaminhos especiais que desbloqueiam operações secretas e escaravelhos.
Na loja, usamos os escaravelhos para comprar esses recursos, que podem ser equipados em dois slots do Kenji, trazendo vantagens no jogo, e em outros dois para a Kumori, referentes ao seu ataque especial e à Arte Ragebound.
Alguns afetam diretamente nosso gameplay. Por exemplo, o que mais utilizei foi um talismã que recupera vida toda vez que eliminamos três inimigos consecutivos sem sofrer dano.
Isso é bem útil, especialmente em casos em que não encontramos orbes de vida ou pontos de controle que recuperam nosso HP.
Embora tenhamos uma boa variedade de habilidades, não me senti incentivado a utilizar muitas, já que suas vantagens nem sempre eram tão interessantes.
Durante toda a campanha, acabei utilizando apenas 2 ou 3 talismãs diferentes.
Usei a Arte Ragebound padrão para ambos os personagens, pois era crucial nas lutas contra chefes.
Cenários e Inimigos
Se há algo que salta aos olhos em Ninja Gaiden: Ragebound, são os ambientes que visitamos.
Tudo é muito bem feito e apresenta detalhes impressionantes no estilo pixel art, que eu particularmente adoro.
As animações dos nossos personagens e inimigos estão incríveis, e as diferentes locações são um show à parte, variando entre florestas, canteiros de obra, bases secretas e muito mais.
O design dos inimigos—sejam demônios, monstros ou humanos—foi muito bem elaborado, assim como suas funções de ataque, que podem complicar a nossa vida em muitos momentos.
Os chefes do jogo são muito bons e apresentam designs únicos, com destaque especial para a intensa batalha final.
A The Game Kitchen, responsável pelo seu desenvolvimento, fez um trabalho sensacional nesse título.
A Dificuldade
Quando o assunto é Ninja Gaiden, logo pensamos na dificuldade que caracteriza seus jogos.
Em Ragebound, o jogo apresenta um bom nível de dificuldade—nada exagerado—principalmente em situações onde temos muitos inimigos na tela.
O level design, que está muito bom, inclui momentos que exigem muita cautela do jogador, especialmente ao mesclar adversários que usam projéteis, capazes de nos fazer cair em buracos e retornar ao último ponto de controle.
As lutas contra chefes podem ser desafiadoras, mas nada alarmante, uma vez que entendemos seus padrões de ataque.
Em suma, este Ninja Gaiden possui um nível de dificuldade moderado; ao zerar, desbloqueamos o modo difícil, que vale a pena conferir.
Vale a Pena?
Se você é fã da série Ninja Gaiden, principalmente dos clássicos, Ragebound é uma parada obrigatória.
Tudo aqui é feito com muito carinho, esmero, e foram poucos os momentos em que me senti frustrado com algo relacionado ao gameplay, como quando um parry não saiu como deveria.
A história e os protagonistas são bem interessantes, os inimigos e cenários estão caprichados no estilo pixel art, e o jogo, no geral, apresenta um bom desafio.
Este é, com certeza, mais um grande feito da Dotemu, que vem acertando bastante em seus títulos retro nos últimos anos.
A The Game Kitchen, que desenvolveu este Ninja Gaiden e foi responsável por Blasphemous, também merece uma salva de palmas pelo excelente trabalho realizado aqui.
Mal posso esperar para ver quais outros projetos ambas as empresas possuem na manga. Eu só sei que quero mais.
Ninja Gaiden: Ragebound chega no dia 31 de julho no PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series, Xbox One, Nintendo Switch 1 e 2, e PCs.
Veja a nossa análise em vídeo no Youtube:













