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Home Filmes e Séries Criticas

Jurassic World | CRÍTICA

Patrícia Rodrigues by Patrícia Rodrigues
02/07/2025
in Criticas, Destaque, Filmes, Filmes e Séries

Participamos da pré estreia de mais um grande lançamento do cinema em 2025, desta vez se tratando da continuação de uma franquia histórica: Jurassic World – Recomeço. O mundo criado por Michael Crichton em que dinossauros são trazidos de volta a vida deu origem a uma das sagas de maior sucesso da história. Mas, até quando pode se desenvolver um enredo absolutamente imaginário? Até quando histórias sobre dinossauros irão caber no gosto do público?

Esse questionamento plausível, por incrível que pareça, acaba sendo a premissa de Jurassic World – Recomeço. Já nos primeiros minutos de filme, somos apresentados aos protagonistas da franquia. O primeiro é Martin Krebs (Rupert Friend), que já nos primeiros momentos transparece toda sua frieza para com os dinossauros. Em seguida, conhecemos Zora (Scarlett Johansson), uma especialista em operações secretas solicitada por Martin para uma missão peculiar: viajar rumo a uma reserva no Equador onde vivem diversas espécies de dinossauros.

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O objetivo é reunir uma equipe especializada, que aqui contará com Atwater (Ed Skrein), Kincaid (Mahershala Ali) e o Dr. Henry (Jonathan Bailey), Nina e Leclerc (Philippine Velge e Bechir Sylvain) e buscar amostras de DNA das mais poderosas espécies que ali vivem para o desenolvimento de uma potencial cura para problemas cardíacos em humanos. O sucesso da missão, claro, resultaria em um negócio bilionário. Ao cruzar o oceano em busca da ilha onde vivem os dinossauros, a equipe é surpreendida pelo pedido de socorro de uma família que acabara de ser atacada por espécies aquáticas desconhecidas. O socorro leva a equipe a conhecer brevemente Reuben Delgado (Manuel Garcia-Rulfo), um pai que leva suas duas filhas Teresa (Luna Blaise) e Isabella (Audrina Miranda) para uma aventura através do oceano em um pequeno barco com poucos suprimentos junto de Xavier (David Iacono), o namorado excêntrico de Teresa.


O elenco do filme faz um trabalho absolutamente brilhante, entregando atuações de ponta dentro do que lhes foi proposto. No entanto, o roteiro não permite que se crie qualquer conexão entre espectador e personagens. As histórias são rasas, os diálogos são tediosos e as características dos personagens não são capazes de criar qualquer afeto por parte do público. E isso fica claro ao longo do filme quando, provavelmente, a maior parte dos espectadores não se comove com a morte ou a possibilidade de morte de qualquer personagem. Enquanto Zora, Kincaid e Henry tentam engatar um ritmo dramático em um dado momento dos acontecimentos, a comoção do público será quase inexistente. Além de uma história clichê e rebuscada, o tempo de diálogo prontamente é cortado para outro acontecimento. Já a família de Reuben, não parece ter qualquer motivo para estar ali. A ideia de atravessar o oceano num bote, colocando a vida de suas duas filhas em risco, por si só, já é desprovida de fundamentos. E isso piora quando somos apresentados a Xavier, o namorado de personalidade duvidosa que tenta preencher um espaço cômico no roteiro: mas o comicidade não funciona. Dessa forma, a família não colabora quase que em nada para o desenvolvimento do enredo, e ainda nos proporciona boas doses de cenas desnecessariamente constrangedoras.


Voltando para a equipe principal, o espectador é capaz de saber exatamente que membros retornarão com vida desta missão. Jurassic World – Recomeço segue uma fórmula extremamente clichê que desenvolve uma missão gananciosa repleta de perigos, tanto para os dinossauros quanto para os humanos. A diferença aqui, negativamente, é que não criamos qualquer empatia pelos personagens, excetuando Dolores, que provavelmente foi a única capaz de despertar afeição ao público.
As cenas de ação , apesar de caírem em repetição na maior parte do tempo, não se destoam tanto do que já é visto nos outros longas da saga. No entanto, essa ação não ocupa tanto tempo de tela quanto gostaríamos, transformando as caminhadas do grupo pela floresta em algo muito similar aos filmes da franquia Anaconda. E essa não é a única similaridade encontrada aqui: o início do filme (que é o único momento aterrorizante da trama) retrata no melhor estilo “Premonição” um acidente gerado por pequenos detalhes que leva um dos personagens a ser brutalmente devorado pelo tipo de dinossauro mais perigoso da espécie.


O aspecto positivo está, com certeza, nas poucas cenas de ação que realmente convencem e proporcionam a sensação de tensão ao expectador. Além disso, os efeitos visuais do filme são absolutamente incríveis. Cada cenário, cada espécie de dinossauro, cada cena de ação: tudo é tão bem executado que é impossível não se encantar (ou assustar) com cada criatura. Apesar de apresentarem alguns erros de proporção, os dinossauros são representados com grandeza e criados a partir de efeitos que os tornam encantadores para o público. Além disso, os já característicos efeitos sonoros da franquia Jurassic associadas ao belo trabalho de efeitos visuais são capazes de criar uma sensação de imersão que em nada deixa a desejar para uma obra de Jurassic World.


Jurassic World – Recomeço não é um filme ruim. Ele cumpre o propósito de entreter o público através do desenrolar de uma boa aventura. No entanto, é impossível negar que o filme é mais do mesmo. Ambição, grupos de pessoas com ideias ruins que os levam a enfrentar situações de alta periculosidade, salvamentos convenientes que criam mais tédio que expectativas. O enredo se inicia a partir da premissa de que dinossauros foram abandonados pela falta de interesse do público neles. Será que neste caso, o filme pode colaborar para uma ideia equivalente na vida real? Apesar de Jurassic ser uma franquia que oscila em qualidade, a trama está aquém do que esperávamos para um filme que carrega em seu título a palavra “recomeço”.

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