Estive jogando Castlevania Belmont’s Curse nos últimos dias, graças a uma chave cedida pela Konami. Agora que zerei o jogo, estou pronto para contar tudo sobre a minha experiência.
Será que essa nova instância faz juz ao legado da franquia? Vamos lá!
A História
O jogo é desenvolvido pela Evil Empire, o mesmo estúdio responsável por Dead Cells. A trama se passa em 1499, 23 anos após os acontecimentos de Castlevania III: Dracula’s Curse.
Logo no início da campanha, somos apresentados a Trevor Belmont e à filha dele, Rose.
Os dois são convocados a Paris pelo bispo Claude de Champigny, para investigar e dar fim a um grande mal que assola as ruas da cidade e tira a vida dos habitantes.
Ao chegarem, Trevor decide ir direto ao bispo para entender melhor a situação.
Ele sentiu algo estranho na carta que recebeu e teme que o cenário seja pior do que foi descrito. Enquanto isso, Rose parte ansiosa para as ruas de Paris, para investigar o que está acontecendo e, quem sabe, expor toda a verdade.
No entanto, Trevor se preocupa. Rose carrega desde o nascimento uma maldição no braço direito, passada pela mãe, Sypha Belnades, que foi infectada por Drácula enquanto estava grávida.
Por isso, antes de sair, Rose recebe de Trevor as cartas de tarô de Sypha.
Elas contêm traços de magia, mas apenas um feitiço está disponível até então, já que Sypha não conseguiu terminar as demais, segundo a própria Rose.
Algum tempo depois, em plena investigação, Rose encontra e vence o Decaído, o primeiro chefe do jogo.
Ela toma para si os poderes dele, desbloqueia uma nova carta de tarô e passa a conversar com o monstro, agora livre da influência maligna que tinha na mente.
O Decaído, que até então não tinha identidade revelada, conta que ele e outras duas entidades estão coletando as almas dos habitantes de Paris.
Elas são levadas às catacumbas para o mestre deles, com o objetivo de realizar um ritual nefasto, ainda desconhecido.
A partir daí, confiante demais nas próprias habilidades, Rose se vê em uma situação complicada. As consequências atingem não só ela, mas todos os envolvidos, já que Drácula retorna ao mundo mais uma vez.
Obviamente, não posso me aprofundar mais, porque entraria na zona de spoilers.
Mas, no geral, gostei da forma como a história é conduzida. Ela é simples e direta ao ponto, nada muito complexo, e eu achei bem legal.
O legado dos Belmont é explorado um pouco mais, e outras figuras do clã são mencionadas no enredo.
Talvez alguns pontos não agradem os fãs mais fervorosos da franquia, mas eu, particularmente, gostei do que vi.
A dinâmica das cartas de tarô também tem muita influência na narrativa.
Cada chefe derrotado pode interagir com Rose, explicando certos acontecimentos, dando conselhos, falando mais sobre quem é e assim por diante.
A maldição da protagonista é abordada durante toda a jornada. Rose precisa ter cuidado para não deixar que esse mal a consuma por completo.
Rose, aliás, começa confiante demais por ter sido treinada por Trevor desde criança. Mas é uma personagem legal e tem um crescimento massa com o passar da campanha.
Conforme divulgado pela Konami, o jogo possui três finais distintos. O segundo, que é o final bom, eu fiz com 14 horas de jogatina, explorando bastante os diferentes mapas.
O terceiro final exige mais tempo, por causa de outras atividades que precisamos realizar para destravá-lo. Pretendo trazer isso em vídeos aqui no canal quando puder.
Gráficos e Trilha Sonora
Como comentei ao jogar a demo, gostei bastante do estilo artístico adotado pela Konami nesse jogo.
As cores vibrantes, os elementos e a profundidade 3D dos cenários e o design dos inimigos foram feitos com muito carinho. Isso fica ainda mais evidente ao visitar os diferentes cenários ao longo da campanha.
Passamos pelas ruas de Paris, pelas catacumbas, pelo cemitério, pela torre do relógio e pelo castelo do Drácula, entre outros. Cada um tem particularidades que saltam aos olhos.
A trilha sonora também me agradou bastante. Algumas faixas não são tão marcantes, mas boa parte fica na mente e até empolga.
O destaque vai para a música clássica da franquia, que ganhou um remix nesse jogo e toca durante toda a nossa passagem pelo castelo. Nesses quesitos, eu realmente não tenho do que reclamar.
Gameplay
A jogabilidade é, na minha visão, o ponto mais forte de Castlevania Belmont’s Curse. Já tivemos um gostinho disso na demo.
Depois de jogar e zerar, reforço ainda mais essa impressão. O game traz muitas possibilidades de combate, mapas com muitos locais para explorar, segredos para descobrir e outras atividades que incrementam bastante a experiência.
Rose pode andar, pular, agachar e deslizar no chão, tanto para se esquivar de ataques quanto para acessar áreas ocultas. Também usa diferentes armas e magias.
A mobilidade flui muito bem e os controles são mega responsivos, o que deixa a gameplay bem gostosinha.
São 7 tipos de arma disponíveis: a espada comum, o escudo e a espada, a lança, a espada pesada, as espadas duplas, os punhos de ferro e o chicote.
Cada uma tem sua particularidade e movimentos específicos.
Podemos ativá-los segurando o botão de ataque ou esquivando e atacando logo em seguida. Há também efeitos distintos ao usar o chicote de mobilidade nos inimigos, que leva Rose até eles para desferir um ataque poderoso.
Conforme avançamos, encontramos variações dessas armas que causam mais dano.
O valor vai de 25, o dano inicial, até 100. Vale a pena ir atrás delas por dois motivos: aparecem inimigos mais fortes mais adiante, e os iniciais também ficam mais resistentes.
Algumas armas bem conhecidas aparecem na última variação que encontramos, e eu curti demais isso.
As magias de Rose se chamam Arcana. Na demo, pegamos a habilidade do chicote, vinda do Decaído, que usamos para alcançar locais mais altos e balançar de uma plataforma a outra. Também havia a cruz, usada para atacar os inimigos.
Existem outras cartas de tarô, que são basicamente os chefes que enfrentamos e que concedem poderes diferentes à personagem.
Todas servem para o combate, mas só alguns chefes trazem habilidades que ajudam na progressão.
Uma delas, muito importante, é a Luz da Joana. Ela serve para atravessar certos obstáculos sólidos e também concede um parry a Rose.
Esse parry ajuda bastante em muitas lutas, principalmente contra chefes. Ele anula ataques, em especial projéteis, e abre brecha para contra-atacar e causar muito dano.
Por ser um metroidvania, também ganhamos habilidades como dash aéreo e pulo duplo, que dão acesso a lugares antes inalcançáveis. Falo mais disso na parte de exploração.
Os Arcanos têm uma boa variedade. A cada chefe vencido, uma nova magia é liberada e pode ajudar em diferentes situações.
Eu usei bastante a magia de fogo da Joana, que causa dano em área, e o escudo do Rei Sensível, para tankar ataques. Elas se encaixaram melhor no meu estilo de jogo.
Mas há muitas outras que valem a pena, como a cruz do Decaído, as correntes da Sábia e o socão de cima para baixo do Engenheiro.
Obviamente, não dá para usar essas magias o tempo todo, porque elas gastam mana. Para recuperá-la, é preciso bater nos inimigos ou destruir itens do cenário, normalmente as velas, que devolvem um pouco de mana.
Além das magias, conseguimos relíquias para equipar em Rose.
Elas ficam em baús espalhados pelos mapas e trazem vantagens interessantes em combate. Entre elas, aumento temporário de dano ou defesa, mais velocidade de ataque e poção de vida que cura todo o HP.
Vale demais dedicar um tempo a procurar esses baús, porque as relíquias fazem diferença.
Minha única ressalva é que poderiam ter adicionado ao menos mais um ou dois slots para equipá-las. Achei pouco ter apenas três para a quantidade que pegamos durante a jogatina.
O jogo também permite aumentar a vida e o MP máximos, encontrando fragmentos de ambos. Assim resistimos mais nos combates e usamos mais vezes as magias, sendo que algumas consomem bastante MP.
E, claro, Rose ganha XP e sobe de nível, aumentando seus pontos de ataque e defesa. Isso faz uma baita diferença, pessoal, principalmente contra chefes.
Eu explorei bastante, então estava num nível bacana para enfrentar a maioria. Mesmo assim, tiveram alguns que precisei largar, upar mais um pouco e voltar depois, porque estava embaçado.
A evolução de Rose é bem importante aqui. Ganhamos XP matando inimigos, derrotando chefes e quebrando estátuas que concedem XP, espalhadas por todos os mapas. Algumas estão bem escondidas, por sinal.
No geral, adorei a forma como construíram a gameplay. O jogo traz muitas possibilidades para a personagem, mecânicas interessantes, e armas e poderes que ajudam muito contra diferentes tipos de inimigos.
O combate é mega divertido. Ele mescla ataques, poderes, esquiva e outras habilidades que Rose ganha ao longo da campanha para evitar a morte.
Eles acertaram demais nesse quesito, na minha opinião.
Exploração
Como vocês já devem imaginar, e presenciaram na demo, há muitos locais para vasculhar e descobrir.
Os mapas têm um tamanho bacana e estão recheados de segredos e áreas ocultas.
É preciso prestar atenção em paredes suspeitas que possam esconder algo, algumas com rachaduras que podem ser quebradas. Há até aquelas com um vão pequeno, onde só passamos com a arrastada no chão de Rose.
O menu do mapa é imprescindível. Conforme andamos por um cenário, o caminho é gravado nele. Isso facilita a locomoção, ajuda a traçar rotas e a encontrar os espelhos de save.
Os espelhos são nosso momento de descanso. Eles recuperam vida e mana por completo e restabelecem as poções de cura.
Cada mapa tem um número específico de espelhos, posicionados em pontos estratégicos.
Ao desbloquear um, criamos um checkpoint. O último espelho com que interagimos é o ponto de retorno caso morramos ou carreguemos o save mais recente.
Outro recurso importante é o barqueiro, que encontramos em cada ambiente. Ele permite viajar rapidamente para outro local e economiza um baita tempo em comparação a ir a pé.
Mais adiante na jornada existe um esquema de viagem rápida mais avançado, digamos assim, que não posso revelar no momento.
E, como citei agora pouco, não seria Castlevania sem áreas inacessíveis no início por falta de alguma habilidade. Há muitas delas.
Nessas horas, é muito importante usar os marcadores de mapa que o jogo fornece.
Eles ajudam a lembrar se aquele trecho tem um fragmento de vida ou MP que não pegamos ou um baú ainda fechado. Também indicam se o local está bloqueado por uma porta ou por uma habilidade necessária.
Eu defini funções diferentes para cada marcador e os espalhei por vários pontos do mapa.
Isso ajuda muito a nos orientar. Sempre que conseguimos um novo poder de mobilidade, sabemos exatamente aonde ir para testá-lo, saca?
O jogo faz isso muito bem e eu gostei demais.
Os famosos desafios de travessia aparecem em abundância. Alguns são bem tensos e fazem a gente arrancar os cabelos, por exigirem precisão e destreza.
Mas superá-los traz uma sensação muito boa, além de render itens valiosos. Algumas variações de armas ficam escondidas justamente depois desses desafios.
Como vimos na demo, vez ou outra encontramos espíritos que dão pistas sobre os chefes das cartas de tarô.
Essas pistas ficam listadas no menu das cartas, para consultarmos a qualquer momento. Mais à frente, estátuas e documentos também fornecem pistas.
Achei esse sistema muito daora. À medida que avançamos, muitas pistas não apontam só para um local a ser encontrado. Elas trazem enigmas que precisamos interpretar para chegar ao lugar desejado.
Muitas ficaram bem criativas e nos fazem quebrar a cabeça, exigindo explorar bastante para achar pistas que complementem a anterior.
Teve momento em que dei uma boa agarrada até entender o que precisava fazer, e as soluções, reforço, são muito criativas.
O mais interessante é que não precisamos desbloquear todas as cartas para zerar o jogo.
Contudo, elas têm função em outras coisas que não posso revelar no momento.
Então, explorar em Castlevania Belmont’s Curse é extremamente divertido. Eu diria até que é necessário, para não passarmos por muitos perrengues, principalmente no combate.
Descobrir cantinhos ocultos, desvendar pistas e resolver enigmas é muito gratificante.
Eles fizeram isso tão bem que, ao pegar uma nova habilidade, eu ficava ansioso para voltar a algumas áreas.
Queria ver se haveria uma nova variação de arma, outra relíquia e assim por diante. É muito bom.
Inimigos e Chefes
Sobre os inimigos, há uma variedade bacana nos diferentes mapas. Alguns se repetem, obviamente, mas novos vão sendo adicionados periodicamente à mistura.
E olhaaaa, tem momentos que dá um nervoso, galera, quando juntam arqueiros, zumbis, esqueletos com espada, armaduras que ganham vida e por aí vai.
Alguns inimigos mais agressivos aparecem nos mapas mais avançados e, junto dos demais, a coisa fica bem tensa.
Temos zumbis, caveiras, lobos, aqueles olhos voadores que vimos em vídeos, morcegos, as clássicas armaduras, totens que lançam chamas e muito mais.
Com o passar das horas, surgem variações desses inimigos, que ficam mais resistentes. A armadura, por exemplo, passa a vir com um escudo para defender ataques.
Já as boss fights eu curti pra caramba, ao mesmo tempo que passei raiva em algumas, viu. Gostei demais do design de cada um. As lutas são legais, embora algumas sejam fáceis.
Outras compensam, fazendo a gente passar nervoso, principalmente quando não estamos tão fortes quanto deveríamos. Isso reforça, mais uma vez, a importância de explorar e evoluir Rose.
A luta final é show de bola e exige atenção do jogador. Mesmo assim, acabei achando algumas secundárias ainda mais tensas.
Tem Bugs?
Quanto a bugs e problemas de performance, o jogo roda bem suave, mesmo sendo 2D com elementos e cenários de profundidade 3D. Não tive nenhum problema que quebrasse a imersão.
Os únicos probleminhas, bem bobos mesmo, foram dois. Em uma parte específica, um som ficou se repetindo por poucos segundos.
E, perto do chefe final, a câmera se afastou bruscamente de Rose, ampliando o cenário, quando normalmente essa transição é suave.
Apenas isso.
Vale a Pena?
E aí, meus amigos, no frigir dos ovos: Castlevania Belmont’s Curse vale a pena?
Olha, eu simplesmente adorei esse novo jogo da franquia.
Preciso me redimir e fechar alguns jogos mais antigos que ainda não tive a oportunidade de jogar.
Mas, pelos que já joguei, gostei demais dessa modernizada que trouxeram para Belmont’s Curse.
O destaque vai para o gameplay, já que o estúdio responsável também fez Dead Cells, que apresenta um combate dinâmico.
A história é bem interessante e estou curioso para ver o que os fãs mais fervorosos da franquia vão achar.
O jogo evoca aquele sentimento tão característico dos metroidvanias, que nos incentiva a explorar cada cantinho do cenário em busca de segredos. Tem também a ansiedade de pegar uma nova habilidade e visitar áreas antes inacessíveis.
Ele exige destreza e precisão no combate, o que gera alguns momentos bem complicados. E o estilo artístico e a trilha sonora estão insanos demais.
Se você é fã de Castlevania e curtiu a demo, manda bala, porque vai curtir bastante a versão final.
E mesmo quem torceu um pouco o nariz, principalmente em termos de enredo, deveria dar uma chance.
Confira nossa análise em vídeo no Youtube:













