Gears of War: E-Day finalmente chegou e graças ao Xbox Brasil, recebemos uma chave antecipada do jogo.
Será que essa nova instância faz juz ao legado da franquia, trazendo de volta Marcus e Dom como os principais personagens? Bora lá!
O Enredo
Começando pelo enredo, ele é sem dúvida um dos pontos mais fortes do jogo.
Isso acontece justamente porque ele nos apresenta, pela primeira vez, o início da invasão Locust no planeta Sera, que dizimou cidades inteiras e grande parte da população mundial.
Quando a história começa, a fatídica Guerra do Pêndulo finalmente acabou. Contudo, a paz trouxe consigo fantasmas do passado.
Após uma cerimônia, os nossos protagonistas Marcus Fenix e Dom Santiago vão até um bar na cidade de Kalona para brindar à memória de Carlos Santiago.
Ele era irmão de Dom, melhor amigo de Marcus, e morreu tragicamente na Batalha de Aspho Fields.
Nesse momento, a gente percebe o quanto a falta do amigo pesa para o Marcus.
O Dom, por sua vez, planeja deixar a vida militar para trás em prol da sua família.
É nesse momento de vulnerabilidade que tudo muda para os dois, pois tremores violentos começam a sacudir toda a cidade. Quando eles vão investigar, se deparam com uma nova e terrível ameaça vinda do subsolo, que vai trazer o caos absoluto para todos naquele mundo.
A forma como o jogo aborda a invasão Locust é de fato desesperadora. Os monstros começam a surgir do nada, abrindo buracos no chão e dilacerando as pessoas sem a menor piedade.
Vendo o caos engolir toda a cidade, Marcus e Dom acabam se unindo aos soldados Megs e Lucas, que estavam no bar junto com eles. Juntos, improvisam o Esquadrão Bravo, que, conforme vimos na prévia, é formado ali no Ato 2.
Eles começam a enfrentar essas criaturas praticamente de mãos atadas, usando armas antigas e sem muitas ferramentas para deter a ameaça. Ao mesmo tempo, tentam salvar os civis desesperados.
A partir daí, à medida que avançamos por cada ato do jogo, novas ameaças ainda maiores vão sendo apresentadas.
O roteiro manda muito bem por nos mostrar aos poucos a decadência da sociedade diante de um inimigo que a humanidade simplesmente não fazia ideia que existia.
Toda a campanha resgata aquela atmosfera de tensão e terror dos primeiros jogos.
É um misto de crueldade por parte dos Locust com o esforço máximo desses soldados, os Gears, no caso, para resgatar os poucos sobreviventes e entender como podem revidar contra esses monstros.
Como acompanhamos o Esquadrão Bravo, que tem quatro personagens, o jogo vai se aprofundando no passado de cada um.
Vemos, com o passar da campanha, o peso dessa nova guerra nas suas vidas e nos seus arrependimentos.
O Lucas, por exemplo, é um cadete totalmente despreparado para o front. A Megs também lida com seus próprios traumas.
As figuras centrais, obviamente, são o Marcus e o Dom. É muito da hora ver como a amizade deles vai se desenvolvendo ao longo da campanha, enquanto lidam com o fantasma e o luto da perda do Carlos.
No fim das contas, o enredo entrega o que prometeu: momentos de pura tensão, desespero, resiliência e uma carga emocional muito pesada para todos os envolvidos.
Quanto ao tempo de jogo, levei cerca de 15 horas para finalizar a campanha. Pode ser um pouquinho menos caso vocês não explorem tanto, e para mim é um tempo bem bacana.
Gráficos
No quesito gráfico, mantenho o que disse na prévia: o jogo está insano demais. Isso vale principalmente para as cutscenes, que ficaram muito bem-feitas, sobretudo nas expressões faciais dos personagens.
As texturas e os detalhes dos cenários também estão muito bem trabalhados. As poças d’água, com ray tracing ativo, refletem outros pontos da ambientação.
A destruição de elementos do cenário, sejam edifícios, carros, vidros e por aí vai, ficou show de bola.
Principalmente no primeiro ato da campanha, no momento em que a invasão começa e o caos se instala, acontecem muitas batidas e desabamentos. Eu fiquei de boca aberta com o nível de detalhes.
À medida que avançamos na campanha, visitamos outros cenários diferentes e lindíssimos. Há florestas onde a luz da lua invade as árvores à noite e o buraco dos Locust, onde só uma luz vermelha ilumina o ponto do cenário.
Sério, eles capricharam nesse game! Até na parte do gore eles arrebentaram.
Rodei o game no PC usando a minha GeForce RTX 5080. Configurei o DLSS no nativo, o Reflex para menor tempo de resposta nos comandos e o Multi Frame Generation no 6x para ter o máximo de desempenho. Com isso, o jogo rodou superbem.
Contudo, o jogo é bem pesadinho. Caso vocês queiram pegar a versão de PC, recomendo checar certinho as configurações mínimas, recomendadas e máximas para ver se batem com as especificações do seu PC. Assim vocês não têm nenhum tipo de problema.
Os únicos engasgos que tive durante a minha jogatina foram em algumas transições de gameplay para cutscenes. Nesses pontos houve uma abaixada bruta nos FPS, mas depois o jogo deu uma estabilizada. Fora isso, rodou super de boa.
Gameplay
Agora que finalizei a campanha, posso trazer mais detalhes sobre como o jogo funciona de maneira geral. Vou falar principalmente do uso de armas, dos seus modificadores e dos equipamentos táticos.
O jogo segue a fórmula padrão da franquia Gears. Podemos andar, correr, usar armas de fogo tanto dos Gears quanto dos Locust e, principalmente, usar o cover tão característico dos jogos. Ele serve para nos proteger dos tiros inimigos, fazer movimentos estratégicos, flanquear e por aí vai.
No entanto, algumas novidades foram implementadas no controle dos personagens. Temos o botão de pulo, que permite subir em carros, pular buracos, subir paredes e acessar locais mais altos em prédios.
Temos também aquela arrastada no chão durante a corrida. Usamos esse recurso para chegar mais rápido a uma cobertura, sair vazado quando o bicho está pegando e até passar por debaixo de obstáculos, como caminhões, para pegar os inimigos desprevenidos.
Não foram grandes adições, mas são recursos de jogabilidade muito bem-vindos. Eles expandem a nossa mobilidade e trazem mais oportunidades para alvejar os inimigos de maneiras diferentes.
Acabei aproveitando bem esses recursos durante a campanha, principalmente nas áreas mais abertas e passíveis de exploração.
A movimentação do Marcus está bem mais fluida. As animações de movimento dos personagens foram trabalhadas totalmente do zero, e isso é bem perceptível.
Mesmo o personagem sendo mais pesadão por causa da armadura que utiliza, é possível sentir esse peso e o melhor trabalho das animações ao correr, pular e, principalmente, quando entramos numa cobertura.
O impacto e a porrada ao bater as costas numa muretinha ou num carro ficou muito legal.
Já os embates com os inimigos seguem a mesma fórmula de Gears of War a que estamos acostumados. Está bem gostosinho, e tudo flui muito bem nesse quesito.
Temos uma boa quantidade de inimigos, incluindo alguns novos que trazem novas armas. E temos uma variedade bem legal delas aqui.
Em alguns momentos, pode ficar cansativo enfrentar muitas ondas de inimigos. Mesmo assim, eles souberam contornar isso com a variação de cenários.
Continua valendo aquele ponto de dar uma “colher de chá” para o jogador, em que podemos cair quatro vezes antes de morrer de vez.
No entanto, em pontos mais avançados do jogo, pode ser bem embaçado mesmo com essas quatro chances. Às vezes somos derrubados e não dá tempo de o companheiro nos levantar antes de o inimigo finalizar o personagem.
Armas e Modificações
Sobre armas, equipamentos e modificações, o jogo traz uma boa variedade.
Temos desde a famosa Proto-Lancer com motosserra, a escopeta padrão e a Hammer dos Locust até o novo rifle com machado acoplado para combate corpo a corpo, a escopeta de ácido, a estripadora e assim vai.
São muitas possibilidades, que permitem alternar entre elas nas caixas de armas e equipamentos espalhadas pelos mapas.
Nessas caixas, além da troca de armas, podemos equipar modificadores em cada uma delas. Cada arma possui três slots para modificações que melhoram dano, precisão, recuo ou trazem efeitos diferentes.
Esses slots não vêm liberados logo de cara. É necessário encontrar modificadores que destravam esses espaços, o que incentiva a exploração dos ambientes.
Além disso, temos modificações de armadura, destravadas mais à frente. Elas concedem vantagens como mais vida, defesa aprimorada e mais munição.
Também foram adicionados os equipamentos táticos. São quatro no total:
- Injetor de Adrenalina: recupera HP instantaneamente e fortalece o personagem temporariamente.
- Disruptor: emite uma onda que atordoa os inimigos. Foi o que eu mais usei.
- Drone de Pulsação: faz o mapeamento da área, marcando inimigos escondidos.
- Vaporizador de Estímulo: cura e revive os companheiros de esquadrão.
Cada equipamento tático também possui modificações próprias.
Dá para fazer, por exemplo, o inimigo marcado pelo drone explodir ao morrer. Por isso, vale a pena conferir todos para criar diferentes táticas de combate.
Exploração, Missões Secundárias e Mapa
Apesar de ser bem linear, seguindo o padrão clássico, o jogo traz algumas áreas mais abertas com caminhos diferentes para explorar.
Isso permite encarar os grupos de inimigos de formas distintas, testando estratégias.
Eles alternam bem entre áreas abertas e trechos lineares para não ficar cansativo.
Nesses momentos de exploração, podemos encontrar colecionáveis, com pequenas histórias contadas pelos membros do esquadrão, e documentos sobre o enredo.
Encontramos também, principalmente, as caixas rígidas.
Elas estão espalhadas pelos mapas e concedem modificações para armas, equipamentos e armaduras.
Quando você está próximo de uma caixa, o jogo emite um alerta na tela e a marca no mapa.
Também há missões secundárias que recompensam com modificações e melhorias raras, como liberar espaço extra na armadura.
Embora algumas sejam simples, como eliminar inimigos para salvar civis ou soldados, elas são rápidas e adicionam uma camada estratégica interessante.
Durante a minha jogatina, por exemplo, montei uma build no lança-dardos explosivo que eliminava Boomers com apenas um tiro na cabeça, caso não estivessem de armadura.
Inimigos
Quanto aos inimigos, muitos clássicos estão de volta, como Wretches, Drones e Boomers.
De fato, eles estão mais agressivos e organizados.
No Ato 1, por exemplo, o jogo cria um clima enfrentando primeiro os Wretches no caos da cidade, antes de introduzir os Drones humanoides, mais fortes e inteligentes.
Entre os novos inimigos, temos um “sapão” que cospe ácido e Drones com espingardas de ácido, que são bem agressivos e usam armadura.
Há também uma criatura peculiar que gerou até um diálogo cômico entre Marcus e o esquadrão, discutindo sobre a aparência dela.
Conforme a campanha avança, esses inimigos vão sendo combinados em composições maiores.
Até inimigos padrão passam a usar armadura, exigindo que o jogador ajuste suas armas e modificadores.
As boss fights contam com momentos épicos. A luta final é previsível, mas muito bacana.
Já os chefes que surgem logo no final do Ato 1 deixam o jogador impressionado pela escala e pelo visual avançado.
Bugs e Problemas
O trabalho de dublagem ficou muito bom em termos de interpretação. No entanto, o jogo sofre com problemas notáveis de sincronia labial em várias cutscenes.
Em momentos dramáticos, mais para o final, a fala em português terminou antes e o personagem continuou mexendo a boca, quebrando um pouco a imersão.
Também presenciei problemas menores e clássicos, como inimigos travados e armas flutuando que não podiam ser coletadas.
O ponto que mais incomodou foi no menu de modificações.
Sempre que eu colocava mods em um equipamento tático e trocava para outro, ao voltar à caixa de armas o jogo removia automaticamente as modificações colocadas antes. Isso me forçava a reequipar tudo do zero, em uma lista cada vez maior.
Além disso, o jogo não permite simplesmente desequipar um mod de uma arma para deixá-la no padrão. Ele só permite substituir caso você tenha outro mod disponível.
Não é nada drástico, e são detalhes fáceis de corrigir via atualização. Mesmo assim, causaram certa frustração.
Gears of War: E-Day Vale a Pena?
Se você é fã da franquia Gears, pode ir sem medo.
Se você é apenas entusiasta ou nunca jogou a trilogia clássica, E-Day é um excelente ponto de partida.
A história é intensa e retrata muito bem o terror da invasão e o impacto nos civis e nos soldados.
O gameplay traz aquela base clássica e sólida, com boas adições de mobilidade e combate. A exploração funciona bem e agrega à progressão do personagem.
Em suma, o jogo deixa um baita potencial para rumos futuros da franquia no Xbox.
Gears of War E-Day chega no dia 06 de Outubro para Xbox Series X|S e PC.
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