A NVIDIA acaba de anunciar o DLSS 5, e ele chega trazendo uma novidade e tanto: a Renderização Neural Guiada em 3D.
Essa tecnologia promete aproximar os gráficos em tempo real do nível de fotorrealismo que a gente só via em produções de Hollywood, e a estreia é em NBA 2K27, disponível a partir de 3 de setembro para todas as placas da linha GeForce RTX 50 Series e também via GeForce NOW.
Basicamente, o DLSS 5 muda o jogo (com o perdão do trocadilho) em relação às versões anteriores da tecnologia.
Enquanto o DLSS 4.5 usava IA para reconstruir dados já existentes na cena, aumentando resolução, gerando frames extras ou limpando a iluminação com ray tracing, o DLSS 5 vai além.
Ele usa inteligência artificial para gerar detalhes de iluminação e material que antes precisavam ser cortados por causa das limitações de performance em tempo real.
O Que Muda Na Prática
Aqui está o ponto interessante: em vez de gerar imagens a partir de prompts de texto, como fazem os modelos generativos tradicionais, a Renderização Neural Guiada em 3D usa o frame já renderizado pelo motor do jogo como base fixa.
Ou seja, a geometria, as texturas e a iluminação criadas pelos artistas continuam sendo a fundação inegociável da cena.
Isso resolve um problema clássico dos modelos generativos: a imprevisibilidade.
Um modelo de difusão tradicional, quando recebe o mesmo prompt dez vezes, entrega dez resultados diferentes. Para jogos, isso é inviável, o rosto de um personagem não pode mudar de um frame para o outro.
O DLSS 5 foi desenhado justamente para ser determinístico, estável e consistente, entregando os mesmos resultados sempre que processa os mesmos dados de entrada.
Com isso, a tecnologia adiciona espalhamento subsuperficial realista na pele, transmissão de luz mais natural em cabelos e folhagens, sombras de contato mais profundas e iluminação global, tudo isso rodando localmente em uma única GPU, com suporte a até 4K.
Controle Nas Mãos Dos Desenvolvedores
Vale ressaltar que o DLSS 5 não é só sobre realismo automático, ele dá controle criativo real para os estúdios.
Os desenvolvedores podem escolher entre diferentes modelos de IA, misturando configurações para cenas externas, internas, cutscenes ou gameplay, dependendo do que fizer mais sentido artisticamente.
Existem ainda ajustes de Structure Intensity (para detalhes de alta frequência, como oclusão de ambiente e reflexos) e Tone Intensity (para iluminação e cor de forma mais ampla).
Somando a isso, há máscaras semânticas que reconhecem objetos automaticamente, permitindo, por exemplo, aumentar o realismo do cenário sem alterar os personagens, ou vice-versa.
Para o jogador final, no entanto, tudo isso se resume a um simples botão de liga/desliga.
DLSS 5 Em NBA 2K27
A Visual Concepts, estúdio responsável por NBA 2K27, trabalhou de perto com a NVIDIA para aplicar o DLSS 5 e elevar o nível de autenticidade da franquia.
Com a tecnologia ativada, dá para notar como a luz passa pelas orelhas dos jogadores, como a pele reage à iluminação da quadra e como os cabelos ganham profundidade, tudo preservando a geometria facial escaneada dos atletas reais.
Segundo Peter Kavic, produtor sênior da Visual Concepts, a renderização neural guiada em 3D deu um salto real de fotorrealismo aos materiais e à iluminação do jogo.
Em termos de desempenho, usando o pacote completo de tecnologias DLSS em 4K com preset Ultra e ray tracing, uma GeForce RTX 5090 chega a 370 quadros por segundo em NBA 2K27.
Em 1440p, os números sobem para até 590 FPS na RTX 5090, com as demais placas da linha 50 também entregando taxas bem altas.
Como Ativar
Para testar o recurso, é preciso baixar o novo driver Game Ready, disponível a partir de 3 de setembro às 21h (horário do Pacífico).
Depois, basta ir em “Configurações de Vídeo” dentro do jogo e ativar a opção “DLSS Neural Rendering”. A tecla F9 permite alternar o recurso durante partidas e replays.
O Que Vem Por Aí
Desde o anúncio inicial do DLSS 5, em março, a evolução foi rápida: a NVIDIA saiu de uma configuração rodando em duas RTX 5090 para agora funcionar em uma única placa, com um ganho de performance de 5x em apenas seis meses.
E, segundo a própria empresa, essa curva de otimização ainda não estabilizou novas atualizações de modelo devem chegar no outono do hemisfério norte.
O DLSS 5 não substitui o pipeline tradicional de renderização, mas trabalha em conjunto com ele, somando-se à rasterização, ray tracing e path tracing já existentes.
É basicamente o início de uma nova era onde a renderização artesanal encontra os gráficos neurais, entregando um salto visual sem tirar o controle criativo das mãos dos artistas.










